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Todo o processo democrático é um parto

Publicado por Reinaldo Araújo em 27/09/2018 às 10h01

Num encontro com artistas em São Paulo, após o debate do SBT, o candidato Fernando Haddad (PT) defende que se encare a expressividade de Jair Bolsonaro (PSL) como um “parto” necessário para o desenvolvimento

 PARTO

"Não tem como se desenvolver do ponto de vista institucional sem passar por alguns partos", discursou. "As nações que chegaram ao desenvolvimento, que a gente respeita, passaram por momentos tão dramáticos quanto o que nós estamos passando agora."

"Se a gente vencer essa etapa, nós vamos olhar para trás e, ao invés de acusar aqueles que querem votar no Bolsonaro e tudo o mais, vamos compreender que é uma parte de um sentimento que se expressou dessa maneira, como uma febre alta, mas que foi importante em determinado momento para a gente pensar que tem uma coisa errada com esse organismo aqui e vamos cuidar dele porque é muito importante para nós."

Aí, nessa consideração de Haddad, que é doutor em Filosofia, queria revelar que a posição de Antonio Gramsci diante da democracia representativa “é a da reforma e não da sua destruição”.

Por isso, na luta pela hegemonia política e pela democracia estariam, portanto, descartados os termos e a proposição de uma estratégia de “contra-hegemonia” já que, para Gramsci, a extensão da democracia a todo âmbito da vida social visa e deve buscar “dissolver a estrutura hierárquica autoritária do Estado”.

Como já afirma Vacca (1996), a sua posição (de Gramsci), portanto, é a de “crítica aos limites da democracia, aos vínculos que ela estabelece bem como às deformações às quais é submetida em condições históricas determinadas”. 

Assim, Haddad ao considerar o fenômeno Bolsonaro como um “parto”, levanta a preocupação permanente com relação à democracia e faz uma crítica séria ao nosso comportamento e a nossa postura muitas vezes violenta e sectária.

O outro também tem o direito de escolher, e as escolhas fazem parte do processo democrático. Quem votará em Haddad em 7 de outubro também não são os donos da verdade. Infelizmente a capacidade de dialogar com o contrário acaba nos revelando o quanto somos narcisos.

E a essa questão da democracia e a fala d’outro, cabe até um verso de Caetano Veloso: Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto/Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto/É que Narciso acha feio o que não é espelho/E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho...

Os “partos” são necessários para a natureza humana, faz parte do nascimento, da reconstrução e é bom, pois a sociedade deve progredir com quantos partos forem necessários para o fortalecimento de nossa recém parida democracia.

Eu mesmo vou refletir sobre isso, também soltei demônios contra os eleitores de Bolsonaro, que tem toda a liberdade de torcerem pela vitória dele, assim como temos a liberdade de escolher Lula, Haddad, Manu... e a democracia agradece...

 

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Brasileiro não fala sobre morte e não se prepara para o momento

Publicado por Reinaldo Araújo em 26/09/2018 às 07h54

Saindo um pouco do debate político e das tramas, vamos conversar sobre o que é inconversável: à morte. Falar sobre a morte parece mórbido mas ela está presente em nosso subconsciente

cem

Pesquisa inédita, encomendada pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep) e realizado pelo Studio Ideias e divulgada no GShow, na segunda-feira (24), demonstra que o brasileiro tem tabu sobre a morte.

Na pesquisa, “a dificuldade nem sempre reside na perda de alguém ou no medo da morte, mas no receio de ter uma conversa considerada íntima (57,4% acreditam que o tema pertence à intimidade) e que traz à tona justamente os sentimentos ruins associados ao tema. Isso é o que acreditam 76% dos entrevistados”, comprova o levantamento.

Para mais de 48%, falar sobre o assunto é depressivo e para 27,8% é mórbido. Para mais de 30%, morte é algo solitário e não deve ser dividido.

Além disso, a dificuldade de lidar com os próprios sentimentos também colabora para que a discussão seja considerada um tabu: 17% declararam não gostar de deixar transparecer seus sentimentos e 7,2 % acreditam que falar sobre a morte é um sinal de fraqueza.

Os rituais relacionados à morte também mudaram. Mais de 50% dizem não participar da missa de 7º dia, antes tradicional. O uso do preto também não é mais visto como necessário.

Em médias, as pessoas estimam que fiquem 6h30 em um velório, quando a realidade é que eles têm média de duração de 3h30. Para 37, 4% dos entrevistados, o velório é a despedida final e 28% o consideram uma homenagem.

No Brasil, a cremação ainda pouco difundida- estima-se que apenas 10% das pessoas optem por ela.

Outros dados sobre a pesquisa:

- 82,4% dos brasileiros acham que não tem nada mais sofrido que a dor da perda de alguém

- 79% acham que nunca é a hora certa

- 63% acham que a tristeza está associada à morte

- 48,6% não estão prontos para lidar com a morte de outra pessoa

- 30% têm muito medo de morrer

- 30,4% não sabem como ou com quem falar sobre morte

10% acreditam que falar sobre atrai a morte

 

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