19 de fevereiro de 2008: Operação Arco de Fogo

Publicado por Reinaldo Araujo em 18/02/2017 às 10h13

A luta de um povo por emprego

O que foi a Operação Arco de Fogo

A Operação Arco de Fogo foi decidida nas salas do Ministério do Meio Ambiente no final do ano de 2007, com a então ministra Marina Silva, que visava combater o desmatamento ilegal na Amazônia por meio de ações de segurança pública promovidas pelas Polícias Federal, Civil, Militar, Força Nacional e órgãos das três instâncias governamentais, sem ter a noção dos impactos sociais que acarretaria tal intervenção militar.

Tailândia, no nordeste paraense, por sua vez, foi o primeiro município a ser fiscalizado porque era considerado um entreposto de madeira clandestina. Antes do trabalho conjunto do Ibama, da Polícia Federal e da Força Nacional, o município serrava 35 mil metros cúbicos de madeira por mês. Hoje, Tailândia não serra mais de cinco mil. Sem dúvida, Tailândia foi o principal alvo da Operação Arco de Fogo no Pará, feita pelo Governo Federal para combater o desmatamento ilegal, sendo uma cidade nova que cresceu rapidamente, na época, com cerca de 70 mil habitantes.

Assim, a Operação Arco de Fogo foi desencadeada para coibir o desmatamento ilegal na região que compunha o chamado Arco do Desmatamento. Dessa forma, com o fechamento das madeireiras que atuavam na ilegalidade fez a população se revoltar em 19 de fevereiro de 2008, por conta do desemprego, tão atual nos dias de hoje.

Economia e modelo econômico quebrado

A economia local dependia fundamentalmente da exploração da madeira. Muitos moradores foram feridos em confronto direto com os soldados. Toda madeira apreendida em Tailândia foi a leilão, pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará e todos os valores arrecadados voltaram-se para financiar o combate ao desmatamento, sem levar em consideração políticas públicas necessárias para gerar um novo modelo de desenvolvimento para o município.

Agronegócio: a nova fronteira...?

Então, podemos considerar que o dia 19 de fevereiro não é uma dia para ser comemorado, mas deverá ser lembrado como um dia de reflexão sobre os ditos projetos “desenvolvimentistas” empurrados para o nosso povo de cima para baixo, onde poucos enriquecem e muitos permanecem na pobreza.

Nunca as elites agropecuaristas de Tailândia falaram tanto em Agronegócio, mas quando foi feito um debate sobre esse tema com a sociedade, a não ser em portas fechadas?

Sabe-se que os lucros com o agronegócio são gigantescos, sobretudo em dólar, mas essa riqueza será distribuída para os trabalhadores?

Será que os avanços da tecnologia trazidos pelo agronegócio vão gerar universidades e cursos tecnológicos para formar mão de obra qualificada da juventude local? Ou será que vão trazer todos os profissionais de outros Estados como sempre é feito em projetos na Amazônia?

São muitas perguntas e poucas respostas. Espero que o exemplo da Arco de Fogo sirva de lição para os tailandenses.

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