A crise mundial do petróleo e os caminhoneiros

Publicado por Reinaldo Araújo em 03/06/2018 às 13h34

É verdade, o Brasil parou...onde estão os revolucionários...

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Nos dias atuais diante da crise política brasileira, que desembocou uma crise econômica sem prescendentes nos últimos 30 anos da história do Brasil, precisamos compreender a paralisação dos caminhoneiros e o que de fato está por trás de todos esses acontecimentos.

Nesses fatores, discordamos com a opinião de Patrick Porter, professor de Estudos Estratégicos da Universidade de Exeter, na Inglaterra, que a atual ordem internacional, "baseada em um nível atípico de domínio americano, está fadada a acabar", muito pelo contrário, apesar da sua crise interna, o “Tio Sam” busca várias formas de se reformar como centro de poder mundial.

Daí, é importante compreender que os Estados Unidos (EUA) estão se aproximando da liderança na corrida pelo domínio do mercado mundial de petróleo. De acordo com as previsões da Agência Internacional de Energia, a produção de petróleo americana atingirá neste ano a marca recorde de 10 milhões de barris de petróleo bruto por dia, o que como consequência desbancará a Arábia Saudita da posição de liderança que ostenta, com 13,5% da produção mundial

Esse impulso, promovido pelo apoio do governo de Donald Trump às exportações, é um problema para a Rússia, a terceira colocada nessa disputa. Assim, esse avanço dos EUA terá efeitos no mercado do petróleo, bem como reflexos geopolíticos e econômicos em diferentes países.

Só para se ter uma ideia, entre esses efeitos poderemos testemunhar o fim da guerra dos preços da Arábia Saudita e Opep, pois como atores principais, desde 1973, esses controlavam os preços no mercado, aumentando ou reduzindo o fornecimento conforme sua conveniência.

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Agora, nesse novo cenário, onde os EUA se posiciona como líder na produção do ouro negro, esse quadro se inverterá, colocando as ferramentas para o controle dos preços do petróleo nas mãos dos americanos.

Esses efeitos atingirão em cheio a América Latina, mais especificamente, a Venezuela, que verá sua já maltratada economia ainda mais castigada, pois com a sua ineficiência e as deficiências estruturais do setor petrolífero venezuelano o tornarão totalmente incapaz de competir com os produtores americanos.

No Oriente Médio os efeitos da superação dos EUA no mercado internacional lhe daria mais independência nessa região, agora que têm seu abastecimento de petróleo garantido, se libertando de sua dependência tradicional de abastecimento dos focos exportadores do Oriente Médio.

Nesse sentido, o que sabemos pela História, que cenários como a Crise do Petróleo de 1973 ou a Guerra do Golfo de 1990, quando a turbulência na região levou ao aumento do preço do petróleo, hoje são impensáveis.

Por fim, a Europa sentirá também o efeito da supremacia americana na posição mais confortável que terá nas negociações relacionadas a energia com a Rússia. No ano passado, Moscou usou a fonte de energia como uma ferramenta de pressão. Em várias ocasiões, interrompeu o fornecimento de gás para a Ucrânia e outros países do Leste Europeu a poucas semanas do início do inverno, e nessas regiões da Europa essa estação do ano é sempre rigorosa.

Em todo caso, a Rússia ainda possui uma vantagem decisiva nesta área. Pode fazer esses recursos chegarem por meio de gasodutos e tubulações, enquanto os barris dos EUA só podem chegar pelo mar, a um custo maior.

Para isso, a Política de Preços do petróleo é uma estratégia da potencias produtoras no mundo, pois só têm a ganhar para aferir mais lucro e com isso manipular o mercado financeiro internacional. Os EUA, a Opec, a Rússia fazem isso, e o Brasil participando dessa política, está contribuindo com a extorsão mundial do aumento do dólar, e consequentemente do barril do petróleo, em detrimento do reajuste quase diário da gasolina, do álcool e, por sua vez, o diesel, ator importante na paralisação dos caminhoneiros no Brasil  

Como encontramos o Brasil nessa conjuntura

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Contudo, quando assumiu a Presidência, em 2016, Michel Temer mudou a política de preços praticada pela Petrobras. A gestão escolhida para a estatal sob o comando de Pedro Parente definiu que a partir dali o preço dos combustíveis no Brasil seria pautado pela cotação do barril de petróleo no mercado internacional, ou seja, em dólar.

Quando a Petrobras implantou oficialmente a política de preços, em outubro de 2016, a gasolina nos postos custava R$ 3,69. Essa política ajudou a empresa a recuperar valor de mercado e por isso o governo tenta capitalizar o crescimento da Estatal, com fechamento do período com um lucro de 7 bilhões. Ora, que empresa Estatal não cresceria ao flexibilizar os preços de seus serviços com base na inconstância do mercado internacional e aumento do dólar.

Por isso, a gestão de Pedro Parente era vista no mercado, que negocia ações da petroleira, como uma blindagem contra interferências políticas na estatal. Mas a política que orgulhava Temer agora representa um problema.

Nos últimos meses, tanto o barril de petróleo quanto a moeda americana têm se valorizado no mercado internacional. Isso impacta diretamente o preço dos combustíveis no Brasil e beneficia os cofres da Petrobras, mas pesa na popularidade dos políticos.

A Paralisação dos caminhoneiros

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No Brasil, o motivo que levou primeiramente os caminhoneiros autônomos a paralisar as principais rodovias do Brasil foi o custo do diesel. Hoje, ele remonta a valores de 2008, quando o petróleo explodiu.

Desde 2016, a política de preços da Petrobras é repassar as flutuações nas cotações internacionais às refinarias, o que significa que a alta do dólar impactou o custo do frete, incomodando o setor de transporte.

Para aliviar a crise, o governo Temer anunciou que o reajuste passará a ser feito mensalmente (e não diariamente). Visando atender as reivindicações dos manifestantes, Temer congelou o preço do diesel por 60 dias, valor esse com desconto de R$ 0,46 nas refinarias. O governo também se comprometeu a fazer que este valor chega às bombas dos postos.  

Porém, essa paralisação revelou a questão central da Política de Preços da Petrobras, que prejudica toda a questão social e a sociedade, com os aumentos dos combustíveis, que para os grandes especuladores do mercado financeiro o fim da Política de Preços da Petrobras simboliza um "retrocesso" a uma política "populista e irresponsáveis".

Para quem vê o fim da Política de Preços uma irresponsabilidade, eu vejo uma acerto e uma questão de responsabilidade social e econômica nacional. O salário mínimo é pago em real e não em dólar, e somente quem se beneficia com a política de preços dos combustíveis é o mercado financeiro e os EUA, travando o desenvolvimento social, que foca o seu desejo em nosso Pré-Sal.

Quando vamos deixar de ser meros fornecedores de matéria prima, quando já teríamos que estar com industrias de ponta tecnológica produzindo com o ferro e o alumínio que exportamos, bens de consumo duráveis, refinando nosso óleo do Pré-Sal em refinarias brasileiras, gerando emprego e renda. Na colônia que vivemos, só mudou o destino ultramarino para outra metrópole, continuamos presos a nossas correntes.

Acabou o combustível dos movimentos políticos no Brasil

A Globo e outras redes de televisão, redes sociais, muitas delas afirmavam que com o fim da paralisação dos caminhoneiros, muitos oportunistas apareceram. É verdade. O governo impotente, fraco e incompetente, com a sua arrogância, menosprezou o movimento dos caminhoneiros. Deu no que deu.

Os partidos e movimentos socais simpatizantes do “Lula Livre”, estão perdidos. Nem o mais ortodoxos paranoicos esquerdistas trostiskystas tiveram a visão da possibilidade imperdível para aguçar a luta de classes e fazer a revolução internacional através dos caminhoneiros do Brasil. Nem eles.

Quando tudo só era paralisação, e os meios de comunicação não falavam outra coisa, a CUT quis aparecer, não deu; a Federação Única dos Petroleiros (FUP) ensaiou uma greve, a Justiça Federal não deixou.

Infelizmente eu acho que a centro esquerda corporativista, que só vê o umbigo só pensa em soltar Lula e ver ele lá, e a direita entreguista e golpista está perdendo o bonde da história, nem candidato de consenso vão ter.

É verdade, o Brasil parou...onde estão os revolucionários...?

 

 

 

 

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