A grande queima de livros e as Universidades Púbicas

Publicado por Reinaldo Araújo em 28/04/2019 às 08h44

Em 10 de maio de 1933, a Grande Queima de Livros, no auge do desvario do nazismo, marcou o apogeu da perseguição aos intelectuais em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, onde montanhas de livros se acumulavam nas praças.

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Era a "limpeza" da literatura Alemã. Nesse período negro, tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados numa campanha iniciada pelo Diretório Nacional de Estudantes, dominado pelos nazistas.

Joseph Goebbels, mestre da propaganda nazista, como ritos na pré-história,  acreditava nos poderes purificadores do fogo, e dessa forma pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais influenciados pela República de Weimar.

Essa parte da História Mundial completará 86 anos em maio de 2019, e espera-se que os exemplos dela não permitam que a humanidade se curva mais a intolerância, ao racismo e todas as suas formas e ao autoritarismo, principais características do nazifacismo, lembranças de uma Europa decadente.

Cultura da Ignorância domina o MEC e propõe redução de investimentos nas áreas de Humanas

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No Brasil, com breves exceções, não houve governo que não quis interferir na política didático-científica das universidades públicas, chegando até a proposição de privatização destas ou desvinculação dos seus orçamentos.

Como se era de esperar, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, apresentaram semana passada a proposta de descentralizar o investimento em faculdades de filosofia e sociologia no Brasil.

A medida foi anunciada na noite de quinta-feira (25), em uma transmissão ao vivo nas redes sociais do presidente, e reforçada por publicações no Twitter de Bolsonaro na manhã do dia 26/04.

Segundo o presidente, a retirada de investimentos dos cursos da área de humanas seria uma forma de “respeitar o dinheiro do contribuinte”.

Mas essa proposta é de difícil praticidade, pois, segundo Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, “a proposta é inconstitucional”. Segundo o professor, fere o Artigo 207 da Constituição Federal, diz o artigo: “As universidade gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

A importância dos cursos de graduação na área de Humanas

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Mesmo assim, nada impede a obsessão do presidente Bolsonaro em apresentar uma emenda constitucional e acabar, destruir todo o patrimônio intelectual dos brasileiros.

Os cursos de graduação na Área de Humanas no Brasil, são em torno de 15: Arqueologia, Comunicação Social, Direito, Economia, Filosofia, História, Pedagogia, Relações Internacionais, Teologia, Ciências Sociais, Estudos Literários, Geografia, Letras, Psicologia e Serviço Social.

Pelo rigor acadêmico, a interdisciplinaridade é usada o tempo todo, pois como estudar Direito sem entender a Filosofia e a História, que não dispensa o conhecimento geográfico, que tem base nas ciências sociais e na economia. Isso tudo sem falar das Licenciaturas e as disciplinas da Educação, onde se embasam em quase toda área de Sociologia e da Filosofia.

O que Bolsonaro e os ‘malucos’ do MEC querem é fazer uma nova grande queima, dessa vez sem livros, querem queimar as pessoas, o conhecimento vivo, crítico e autônomo que nascem dentro das Universidades Públicas.

Entidades como a Associação Nacional dos Docentes, dos Servidores Públicos das Universidades Brasileiras, da União Nacional dos Estudantes e da própria Andifes, que reúne os reitores, devem denunciar mais essa manobra de esvaziar o poder de contestação e de crítica ao atual governo e de qualquer outro, que se constrói dentro das universidades, elitizando mais ainda o ensino superior.  

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