ADESÃO DO PARÁ À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Publicado por Reinaldo Araujo em 15/08/2016 às 10h56

O que a História Oficial diz que foi uma adesão pacífica, mas as lutas pela libertação do Império Português diz o contrário.

 

No dia 15 de agosto, o Pará lembra uma data importante na sua história: os 193 anos da Adesão do Estado à Independência do Brasil. O acontecimento foi em 1823, um ano após o Brasil se tornar independente.

Na verdade, os fatos que aconteceram em 1823 foram as bases para a maior revoltada separatista e sangrenta que aconteceu no Brasil, a Cabanagem, que mobilizou, índios, negros escravos, os ribeirinhos e mestiços de todos os pontos da Região Norte, naquela época.

Segundo a historiadora Magda Ricci, da UFPA, “a adesão tardia do Pará ocorreu em razão de uma forte ligação entre a elite paraense da época com a comunidade e os comerciantes portugueses. Belém tinha o mesmo status que a cidade lusitana do Porto, e o bispado daqui era muito ligado ao de Portugal, o que fortalecia os laços entre paraenses e portugueses”, afirma a professora.

ADESÃO

Autonomia - O Pará, então chamado de Grão-Pará, tinha autonomia administrativa e comercial e mantinha poucas ligações com a parte sul da colônia portuguesa na América. Porém, após a adesão do Maranhão ao Império do Brasil, em julho de 1823, o Pará era o último Estado restante e, para conseguir a adesão, em 11 de agosto, o almirante John Grenfell desembarcou aqui e, a mando de Pedro I, trouxe aos governantes do Estado um documento afirmando que havia uma esquadra em Salinas, pronta para bloquear o acesso ao porto da capital, isolando o Pará do resto do Brasil, caso o Estado não fizesse a adesão. Os governantes da época renderam-se, proclamando a adesão ao restante do Brasil. Após uma assembleia no Palácio Lauro Sodré, a assinatura do documento que oficializava a adesão ocorreu no dia 15 de agosto.

Divisão - A adesão do Estado não resultou em melhorias, de acordo com Magda Ricci. Após a adesão, a província ficou muito dividida e a situação nacional do Brasil também não ajudou muito, pelo contrário, já que estava em crise, então, pioraram as dúvidas paraenses. Além disso, Pedro I resolveu deixar o Brasil e voltar para Portugal, o que só agravou a crise política.

Dessa forma, havia muitas incertezas e dúvidas quanto a continuar unido à causa de Dom Pedro I. Se a elite paraense estava dividida, a população mais pobre e os escravos de origem africana perceberam, rapidamente, que a independência não resultou em melhorias para suas vidas, o que acabou provocando muitos conflitos e mortes, como a Revolta do Brigue Palhaço, três meses após a adesão, e a Revolta popular da Cabanagem, em 1835.

Identidade - “Somente depois de 1840 é que se completou o processo que, a duras penas, buscava construir uma identidade brasileira no Norte do Brasil. É preciso ressaltar que, em alguns aspectos, ainda hoje, este processo não se fechou. Falo isso, porque, ainda nos nossos dias, é preciso lutar para se fazer uma identidade nacional brasileira mais ampla e formadora de uma cidadania plena”, finaliza a historiadora Magda Ricci.

Texto: Brenda Ferreira – Assessoria de Comunicação da UFPA   
Ilustrações: Reprodução  / Google

Comentários

Vanessa Silva Matos em 29/08/2018 17:44:42
Eu amem porque eu precisava muito dessa explicação.
Geziel Reis em 15/08/2018 08:26:52
Muito bom resumo, pena que o nosso povo não conhece a nossa história. :(
Marilene Sales em 12/08/2018 19:44:33
Muito esclarecedor
José Menezes Brito em 11/08/2018 21:09:27
Boa noite Magda Ricci.!
Muito bem colocada sua publicação sobre a Adesão do Pará, concordo plenamente que ate hoje é preciso lutar pela nossa identidade nacional. A adesão assinada em 1840 foi da expansão territorial e não do povo mestiço, índios negros e ribeirinhos. Nestes 193 anos o povo Brasileiro ainda não conseguiu sua emancipação dos direitos fundamentais do homem. Na política ainda estamos com resquícios da política ibérica, com predominância de um código social de imposição e excludente. As políticas públicas concernentes à saúde conquistadas com muitas lutas desde a reforma sanitária se consagrou na constituição de 1988 com a Lei orgânica da saúde 8.080/90 e a LEI 8.142 que financia o SUS e dá direito a participação da sociedade. Agora o que vemos é um verdadeiro desmonte do SUS, os políticos dos nossos dias nos lesam tirando o que já foi conquistado na calada da noite. Nós os cabanos, mestiços, índios e ribeirinhos continuamos sem território com visão nebulosa de futuro da emancipação do povo brasileiro, mas é preciso lutar para conquistar e construir um Brasil para todos com cidadania plena e democracia plena.
Maria Benedita em 11/08/2018 08:11:02
Agradeço imensamente por esse relato que com certeza irá ajudar nas minhas aulas e também no conhecimento do acontecido
Alice Luiza Lucas Franco em 27/05/2018 20:31:46
muito bom bem resumido
Cibele em 28/02/2018 15:53:14
Gostei muito♡
Cibele em 28/02/2018 15:50:52
Gostei muito de saber♡

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