AS LUTAS VÃO CONTINUAR...

Publicado por Reinaldo Araujo em 22/04/2016 às 08h50

A HISTÓRIA NÃO ACABOU...A SOCIEDADE CIVIL PRECISA CRIAR UM PROJETO DE CIDADANIA PARA O BRASILFora Dilma

23h47 minutos, domingo, 17 de abril de 2016, as ruas de todo o País tinham um misto de decepção com o pavor de imaginar que ali chegaria ao fim o sonho de poder do partido que prometeu levar Justiça Social aos brasileiros.

Foram 13 anos de poder, poder esse que não é de merecimento do Partido dos Trabalhadores, nem das lideranças dos movimentos sociais. Foram duros 52 ano de História que o Brasil teve desde o Golpe de 64. Com o A-5, foram prisões, desaparecidos e exílio, mas os movimentos sociais, com o apoio da Igreja Progressista mantinha a resistência silenciosa.

Na segunda metade da década de 70, surge o Novo Sindicalismo. A Ditadura amolece. São dados os primeiros anúncios à abertura “lenta e gradual” do Regime; a UNE é reconstruída, mas aqueles moços cabeludos e convictos dos anos 60 já tinham envelhecido; o PMDB vence as eleições para governador em vários Estados. Na mesma década de 80, é fundado do PT e a CUT e é derrotada a Emenda Dante de Oliveira, em 24 de abril de 1984, que reinstalava as Eleições Diretas para Presidente da República; vem o Colégio Eleitoral, que o PT boicota, vence Tancredo Neves nas eleições indiretas, em 15 de janeiro de 1985, marco do fim de mais de vinte anos de regime militar no Brasil.

Mas, a tão esperada posse de Tancredo, no entanto, nunca ocorreu. No dia 14 de março, véspera de assumir o cargo, o ex-governador de Minas Gerais teve de ser operado às pressas no Hospital de Base, em Brasília. Era o início de um pesadelo que exigiria outras seis intervenções cirúrgicas e se estenderia até sua morte, anunciada em 21 de abril, e semanas antes, em 15 de março de 1985, assume o poder interinamente José Sarney, que segue o mandato até a homologação da Constituição de 1988, que convoca as primeiras Eleições Diretas depois de 64.

Nessa trajetória, teve a subida e a descida de Collor, a posse de Itamar Franco, dois mandatos tucanos (PSDB), três mandatos presidenciais do PT e um sendo interrompido pelo Processo de Impeachment da presidenta Dilma

Muitos podem achar que está havendo uma derrota da democracia, eu discordo. Tenho certeza, que apesar das manobras políticas, o Brasil está amadurecendo. Afinal, a nossa democracia é muito nova. Mas uma coisa é certa: a cultura política dos eleitores tem que mudar, pois tudo isso está acontecendo é por nossa própria culpa.

Mas, o que eu queria colocar em foco é a compreensão de que o Brasil mudou nesses últimos 13 anos. Mas, infelizmente o partido que tinha o objetivo de levar melhorias à vida do pobre não acompanhou suas mudanças.

O Partido que impulsionou junto ao povo brasileiro um ciclo de mudanças jamais visto na história do País é o mesmo partido que se perdeu nos afazeres cotidianos dos gabinetes, na burocracia e na corrupção e agora toda a sua contribuição possível ao futuro do Brasil está se esvaecendo.

È preciso também que os movimentos sociais e a sociedade civil façam uma análise, uma autocrítica inadiável. A situação política do país não nos autoriza a continuar escondendo nossos erros através de uma polarização politicamente pobre com o PSDB, Cunha e agora com o PMDB.

É preciso avançar mais, ou seja, partir para o reconhecimento dos nossos erros grotescos, restaurando um novo movimento de esquerda, que seja mais propositiva, sem o maniqueísmo entre o bem e o mal, remodelando a atuação frente a sociedade.

Precisamos compreender que a estabilização da economia e os projetos sociais não são dádivas de partido nenhum, de governo nenhum. Todas as vitorias da cidadania são vitórias da sociedade e não podem retroagir.

O Governo que se prepara para se erguer será diferente dos outros, pois o apelo da sociedade é muito grande pela melhoria da economia, pelo fim da corrupção e por projetos de médio, longa duração e permanentes para o Brasil, que apesar da crise econômica é a 5ª economia do mundo..

 O PT que ganhou o poder a partir de 2002, o mesmo que ganhou nas ruas mobilizando a sociedade perdeu nela.

Nesse momento é importante a sociedade civil se reorganizar, sem maniqueísmo político, e apresentar propostas diferentes, restaurar os laços com a periferia e fortalecer a relação com o povo. Temos que levar em consideração que as reivindicações meramente por salário, mesmo que sejam importantes, não basta.

É o momento de levantar a discussão sobre violência urbana, contra a mulher, políticas sociais, políticas de desenvolvimento no campo, reavaliar a política de saúde, saneamento e meio ambiente dos Estados brasileiros, aprofundar o debate sobre a corrupção. É necessário levantar as questões sobre que tipo de desenvolvimento econômico o Brasil e os brasileiros precisam, sem as velhas fórmulas dos “economistas de plantão”. O Brasil precisa instalar uma Agenda Econômica para reverter à crise e abrir campo para uma estabilização permanente com geração de emprego e renda.

A mesma classe média que deu Poder ao PT o tirou. Essa mesma classe média de professores, servidores públicos, metalúrgicos, profissionais liberais, esses não tem que equilibrar um salário mínimo ou uma Bolsa Família todo o mês. Como vão ficar as políticas de inclusão social?

É o momento renovar as propostas e defender as conquistas sociais como se fossem “cláusulas pétreas”, deixando para trás as falsas polêmicas, para não retroagir. Devemos estar presentes nas discussões de propostas para avançar a economia do Brasil, sem perder direitos. Ser posicionar frente ao governo com autoridade e propostas.

No início vai ser duro, mas é preciso retomar a confiança do povo. É preciso ter Projeto de Governo e de Cidadania e não Projeto de Poder. O poder é do povo e ele o usa quando quiser.  

 

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