Bolsonaro ao propor o ‘Peso Real’ faz comparação com casamento

Publicado por Reinaldo Araújo em 08/06/2019 às 10h29

O dote é um costume antigo, mas ainda em vigor em algumas regiões do mundo, que consiste no estabelecimento de uma quantia de bens e dinheiro oferecida a um noivo pela família da noiva, para acertar o casamento entre os dois.

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Foto: UOL

Jair Bolsonaro, presidente brasileiro, vê a "nova moeda"  como um casamento, "você ganha de um lado e perde do outro. Às vezes você quer ver o Botafogo jogar e outra pessoa quer ir ao shopping. Mas nós temos muito mais a ganhar do que a perder” disse o presidente.

O presidente falou isso à imprensa ao defender a criação de uma moeda única entre Brasil e Argentina: o peso-real.

Bolsonaro colocou a responsabilidade sobre seu ministro da Economia a ideia, que é tão maluco quanto o próprio presidente: “O Paulo Guedes nada mais fez que dar um primeiro passo para um sonho de uma moeda única na região do Mercosul: peso-real. Quem diz, quem vai achar é ele. Como aconteceu o euro lá atrás, pode acontecer o peso-real aqui, pode acontecer. O primeiro passo. Já falei para vocês que não é meu forte a economia e nós acreditamos no feeling, na bagagem, no conhecimento e no patriotismo do Paulo Guedes nessa questão também”, afirmou o presidente.

Economistas discordam de Bolsonaro e Guedes.

Em matéria publicada ontem (07/06) pelo UOL, economistas dizem que não é por aí que se começa um casamento.

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Foto: seudinheiro.com

Segundo o professor da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP), Simão Davi Silber, “descartaria a proposta para os próximos cem anos. Eu acho isso um sonho numa noite de verão”, Para o economista da FEA, “os países da região não tem a integração adequada para uma empreitada do tipo, deveria existir um fluxo comercial e financeiro ‘gigantesco’ na própria região, mas a maior parte das transações dos países daqui são com EUA, Europa e Ásia", constata Silber. 

Quem bancaria essa empreitada? Quem vai entrar com o dote nesse casamento?

Para o professor Roberto Ellery, do Departamento de Economia da UnB, também entrevistado pelo UOL, “do ponto de vista econômico, ‘é uma ideia horrível’, e um dos problemas que inviabilizaria uma moeda única entre o Brasil e Argentina seria o desequilíbrio fiscal entre os países do continente”, ressalta o professor Roberto.

Com relação às economias de mercado unificado tem sempre um país que paga a conta. O professor da UnB dá o exemplo do Mercado Europeu: “quem banca (o Euro) é a Alemanha; a Grécia quebra, quem banca é a Alemanha. Quem banca a América do Sul?", provoca o economista.

Sem falar que a criação de uma moeda comum forçaria os países abdicarem de um Banco Central, “perdendo dois instrumentos fundamentais de política macroeconômica: a monetária e a cambial”, conclui Roberto Ellery.”

É muito simples quem não entende nada sobre economia ou um aventureiro que quer transformar o Brasil na ”cobaia da economia do inferno”, propor devaneios ou alucinações noturnas, isso é simples assim.

Enquanto isso, a inflação do período chega a 4.66%, a própria crise na Argentina trata de fechar postos de trabalho na indústria automobilística brasileira e a carestia só aumentando. É isso aí! O Brasil está no caminho certo...

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