Ideias de extrema direita fascistas não são novidade no Brasil

Publicado por Reinaldo Araújo em 09/09/2018 às 15h05

O fascismo não é qualquer regime, não é qualquer ditadura...

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O fascismo na Europa

Antes de mais nada, é preciso entender o que chamamos de fascismo, que além de "movimento", o fascismo tornou-se poder na Itália e na Alemanha no período entre guerras, sendo assim uma forma específica de regime político do Estado capitalista.

Mas não foi qualquer regime, não é qualquer ditadura, mas uma ditadura contra-revolucionária com características bastante específicas, Deste modo, chamar qualquer regime político ditatorial de “fascista” pode ser legítimo no plano da retórica política de seus opositores, mas do ponto de vista analítico denota desconhecimento.

O surgido das contradições da eclosão da Primeira Grande Guerra e do desafio da Revolução Russa de 1917, o fascismo constitui-se como um movimento contra-revolucionário, formado por uma base social na pequena burguesia, que em países da Europa central foram recrutados pelas classes proprietárias que os financiaram para formarem grupos de bate-paus contra o movimento operário e a esquerda em geral.

Enquanto movimento, o fascismo representou historicamente um oponente violento das organizações da esquerda, da classe operária e dos subalternos sociais, bancado pelas classes dominantes para eliminar, inclusive fisicamente, qualquer coisa que pudesse ser associada à ameaça de “contagio vermelho”.

E por isso o sucesso dos movimentos fascistas associava-se também à capacidade desses movimentos convencerem amplos setores sociais de que o conjunto das esquerdas poderia ser enquadrado como “comunista” e, por conseguinte, “antipatriótica”.

Assim, dos revolucionários anarquistas até os social-democratas mais reformistas, passando naturalmente pelos próprios comunistas, as esquerdas em geral foram alvo desses movimentos contra-revolucionários.

Plínio Salgado, representante do fascismo no Estado Novo de Vergas

Entra em cena, então, o polêmico jornalista Plínio Salgado, nascido em 1895, iniciou sua carreira na imprensa em 1916 em um jornal de sua cidade natal “Correio de São Bento”, ao mudar-se para São Paulo, trabalhou no “Correio Paulistano”, órgão oficial do Partido Republicano Paulista (PRP).

Durante os anos da década de 1920 manteve sua carreira focada na literatura, tornando-se um escritor renomado. Participou de forma discreta da Semana de Arte Moderna, em 1922.

Apoio às ideias nacionalistas de Getúlio Vargas

No fim de 1930, no auge da Revolução de 30, que derrubou Washington Luís, com a tomada de poder por Getúlio Vargas e a vitória dos revolucionários, Plínio apoio à Revolução. Foi ele quem redigiu o Manifesto dos Revolucionários paulistas e passa a partir desse momento apoiar as decisões varguistas.

É também a partir de 1932, que Plínio inicia uma sequência de ações que culminaram na criação da Ação Integralista Brasileira (AIB). Plínio idealiza um movimento partidário, com posicionamento político de extrema-direita e inspiração fascista. Sob o lema de “Deus, Pátria e Família”. Salgado lança o Manifesto da AIB em outubro de 1932.

Inspirado por sua passagem na Itália de Mussolini, a diferença do Integralismo para o nazi-fascismo europeu era o discurso quanto a questão racial. Não havia intenção explicitamente racista na doutrina Integralista na qual seu idealizador pressupunha a miscigenação como formadora da sociedade brasileira.

Os “camisas verdes” tentam um em golpe em Vargas

Em 1937, os “Camisas verdes” como também era conhecidos os Integralistas, apoiaram o Estado Novo de Vargas, pois Plínio vê nos ideais nacionalistas de Vargas a oportunidade de favorecer as causas da AIB.

Porém, enquanto Vargas dava início à fase mais ditatorial e repressora de seu longo governo, os integralistas fizeram duas tentativas desesperadas de tomar o poder: em 11 de março de 1938, tentaram ocupar uma estação de rádio e se infiltrar na Marinha do Rio de Janeiro, conquistando oficiais para a causa, mas não tiveram sucesso.

Dois meses depois, em 11 de maio, veio a ação mais cinematográfica: um ataque ao Palácio da Guanabara, residência presidencial, com o objetivo de depor Vargas. Cerca de 80 integralistas conduziram a intentona, que foi facilmente debelada pelas tropas do governo.

O fracasso do Levante Integralista foi o enterro definitivo do grupo. Os líderes foram presos, Salgado negou qualquer envolvimento, mas também foi detido. Em junho de 1939, partiu para o exílio em Portugal, de onde só voltou sete anos mais tarde, quando Vargas havia deixado o poder. No retorno, após as derrotas de Hitler e Mussolini e a condenação de suas ideologias no mundo inteiro, o grande líder da extinta Ação Integralista se esforçou para esconder seu passado fascista, mas não abandonou a política: fundou o Partido de Representação Popular e continuou presente na vida nacional por mais três décadas.

Plínio Salgado volta do exílio

Plínio só retorna ao Brasil em 1945, com a redemocratização e sua vida política volta a ser ativa tendo fundador do Partido de Representação Popular (PRP).

Plínio Salgado, apoiou JK, ocupando a direção do Instituto Nacional de Imigração e Colonização. Em 1964, foi um dos oradores na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo contra o Presidente João Goulart.

Plínio Salgado apoiou o Regime Militar e o AI-5, que extinguiu os antigos partidos e criou o bipartidarismo. Filia-se ao ARENA, onde iria se eleger duas vezes como deputado federal (1966 e 1970).

Plínio morre em São Paulo em 1975. Seu ideal Integralista, no entanto permanece vivo e organizado na “Frente Integralista Brasileira” que em 2009 lançou um novo manifesto. Sua ideologia não encontraria, porém, até hoje, o amparo social como nos anos de 1930 quando teve seu auge.

 

Fonte:

https://super.abril.com.br/historia/o-fascismo-no-brasil/

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