Jerusalém entre profecias e uma iminente guerra santa

Publicado por Reinaldo Araujo em 10/12/2017 às 12h56

A medida de Trump foi o "beijo da morte" nas negociações de paz baseadas no reconhecimento de dois Estados

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Donald Trump prometeu em campanha e cumpriu: Jerusalém foi reconhecida pelos Estados Unidos como a capital de Israel. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (06/12), provocou reações críticas de líderes políticos e religiosos de todo o mundo, do Papa Francisco ao governo chinês.

Se por um lado o anúncio do presidente foi uma surpresa para o mundo, por outro não destoa de outras das suas polêmicas posturas internacionais, como a saída dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, o rompimento da Parceria Transpacífico e até as ameaças públicas a Kim Jong-un, da Coreia do Norte.

O temor generalizado é que a medida dificulte, e até inviabilize, os históricos esforços de negociação de paz entre Israel e Palestina. Mas a partir da leitura de especialistas ouvidos pela BBC Brasil, eles acreditam que Trump não levou em conta esse conturbado cenário regional ao tomar a decisão.

“[...] se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus...”

Porém, para alguns grupos de cristãos, o que está em jogo é o cumprimento de profecias acerca da gloriosa volta de Cristo.

Após 70 anos quando a ONU em 1947 iniciou as discussões do reconhecimento de Israel como nação que culminou sua criação em 14/5/1948, Trump, causou um temor em todo o mundo ocidental, principalmente nos países que têm combatido a guerra contra o Estado Islâmico. Ou seja, em um só dia Israel foi criado como nação cumprindo a profecia de Isaías 66.8.

“Quando o Senhor vier novamente, os que estiverem praticando iniquidades ficarão envergonhados. Na Segunda Vinda do Senhor os iníquos serão feridos, Israel como nação será restaurada em um dia e as nações gentias do mundo serão convidadas a virem adorar ao Senhor. Os sobreviventes olharão para os numerosos cadáveres com horror” (Isaías 66.8.).

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Setenta anos é exatamente o tempo de uma geração ter falado: “os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!” (Salmos 90.10) e coincide com a fala de Jesus,

“Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam” (Mateus 24.34).

Ora, Israel é a figueira que floresceu e que no próximo ano completará 70 anos de existência. O propósito do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel não é apenas porque Donald Trump quer ser “bonzinho” com os judeus, mas porque Israel precisa ter todo o domínio de Jerusalém que hoje sua parte oriental é de domínio islâmico e onde justamente está a Mesquita de Al-Aqsa, cujo lugar é do antigo Templo de Salomão.

Israel tendo Jerusalém como capital unificada abre portas para domínio judaico da parte oriental e, deste modo, podem fazer o que bem quiser com a mesquita.

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Em linhas gerais, será o momento para reconstrução do terceiro Templo de Salomão onde o anticristo precisa assentar no santo lugar e declarar-se deus,

“o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Tessalonicenses 2.4.).

Nos Estados Unidos, as razões para o apoio dos evangélicos ao reconhecimento de Jerusalém como capital são principalmente religiosas. Alguns acreditam que, por razões bíblicas, Israel é o lugar destinado a agregar os judeus. Outros crêem que o messias pode retornar para Jerusalém, vista como a Terra Sagrada e, para isso, é importante que ela esteja nas mãos de Israel, e não dos muçulmanos. Assim, há uma espécie de ponte entre a história de Israel bíblico e a do Estado moderno de Israel.

Da parte Palestina, Grupos extremistas islâmicos fizeram uma série de ameaças contra os Estados Unidos pela decisão de instalar sua embaixada em Jerusalém, medida anunciada como movimento para reconhecer a cidade sagrada como capital israelense.

Nas redes sociais, seguidores do Estado Islâmico (EI) e da Al-Qaeda fizeram ameaças de atentados. Além disso, o movimento Hamas, que até este ano atuava no governo da Faixa de Gaza, convocou uma nova intifada "contra a ocupação e o inimigo sionista". A conclamação instigou ainda mais os protestos na Cisjordânia e Faixa de Gaza, que já deixaram ao menos 104 feridos até então.

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Nesse momento espalhar-se a possibilidade uma Terceira Intifada (insurreição de palestinos contra Israel). Além disso, uma medida como essa deixa os oponentes dos Estados Unidos mais dispostos a enfrentar riscos. Essa é a ferramenta de recrutamento (de militantes) que al-Qaeda, o autodenominado Estado Islâmico e Hezbollah adorariam usar.

Os riscos são inacreditáveis. Quem pensava que poderia haver uma solução negociada entre Israel e Palestina, que levasse à coexistência de dois Estados, não pensa mais nisso. Com o apoio dos EUA à Israel, o que sobra para os palestinos? Não sobra muito. Vão sentir que os EUA já determinaram o futuro de Jerusalém. A reação do mundo mulçumano é imprevisível...

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