Magalhães Barata, os políticos e o Estado do Pará

Publicado por Reinaldo Araujo em 06/08/2017 às 09h46

Para conhecer mais os porquês da política paraense é preciso conhecer a História, revelando esse processo de construção do cotidiano do Poder.

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Visita de Getúlio Vargas, em seu 2º mandato como presidente (1951-1954), ao Pará, ao lado Magalhães Barata.

O Povo precisa de salvadores...

Assim, como em Minas Gerais teve Juscelino Kubschek e Tancredo Neves, no Rio de Janeiro, Carlos Lacerda e Brizola, Pernambuco Miguel Arraes, na Bahia ACM, no Pará também existiram grandes lideranças políticas

Por isso, a Revolução de 30 é um importante objeto de estudo para se chegar a onde nos encontramos hoje.

Dessa forma, no meio da luta contra a República Velha e os ”novos tempos” de Getúlio Vagas, temos o Tenentismo, um movimento que ganhou força entre militares de média e baixa patente durante os últimos anos da República Velha.

Ao mesmo tempo, o tenentismo era mais uma clara evidência do processo de diluição da hegemonia dos grupos políticos vinculados ao meio rural brasileiro.

Nesse sentido, se foi o coveiro da oligarquia da República Velha, o tenentismo foi também o parteiro de regimes de força que evoluiriam até a ditadura aberta, em 1964.

O tenentismo como coveiro da República Velha

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Coluna Prestes, movimento que surgiu no nordeste depois da Revolta dos Tenentes

Então, a revolução de 1930 foi à porta de entrada para essa nova era,  acentuada nos “Estados do Norte”, pois dos 11 que havia, em nove o governo foi exercido por tenentes como Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, ou apenas Magalhães Barata.

Da rebelião de Óbitos a intervenção de 1932, Magalhães Barata inicia a sua saga como a mais importante personagem política do Estado do Pará no século XX. Sobre esse tema, indicamos a leitura do livro de Walter Pinto “A revolução constitucionalista no Baixo Amazonas” (Paka-Tatu, 304 páginas, 2013), que faz uma delicada pesquisa sobre esse momento histórico paraense.

Maior líder político do Pará do século XX

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Ainda nesse contexto, podemos afirmar que Magalhães Cardoso Barata, entrou para a História como o maior líder político do Pará, na primeira metade do século XX, e cuja lembrança pendura viva passado mais de 58 anos da sua morte, em 29 de maio de 1959.

Visceralmente autoritário, traço da sua personalidade certamente potencializado pela própria formação castrense, mas também com um forte sentimento de justiça social, ele foi incensado pelo correligionários, odiado pelos adversários e venerados pelas massas humildes.

Após pontuar a política paraense por quase 30 anos, para o bem ou para o mal, Barata assumiu os contornos de um mito, na esteira do seu pioneirismo administrativo, traduzidos na interiorização do executivo, através do governo itinerante, e pelas audiências públicas, com as quais abriu as “portas” do poder ao povo, o que lhe garantiu o mito do “pai dos pobres” do Pará, fiel a política do governo central de Getúlio Vargas.

O jornalista e historiógrafo Carlos Roque, recordou que Barata ao exercer o poder de forma autocrática, desapropriava terras, para destiná-las a passeios, e congregava os preços de medicamentos e aluguéis, posturas inéditas para uma época em que a questão social era tratada como caso de polícia.

Barata se valia dos poderes discricionários que dispunha, ou se atribuía, tanto para intimidar seus adversários, como para beneficiar os excluídos de então.com um perfil próprio de caudilho, implacável com os adversários e com um rígido senso de autoridade e disciplina.

Por falta de lideranças, Barata não deixa herdeiros na política

Barata comandou com mãos de ferro o Partido Social Democrático (PSD) e exerceu com pompas e circunstâncias o poder. Dessa forma, o respeito que inspirava em seus correligionários e a força de seu carisma junto às massas inspiravam o que foi chamado de “baratismo”.
Hélio da Motta Gueiros, ex-governador do Pará, foi um baratista e Jader Barbalho, por intermédio de seu pai, Laércio Barbalho, conheceu a política de Magalhães Barata, porém as suas contribuições na política só vão se dar na década de 80, em outro momento da História, a redemocratização.

Jader Barbalho nunca foi baratista, mas bebeu da mesma fonte...

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Ao morrer Barata deixou um espólio político que a rigor não teve herdeiros, diante da falta de carisma das lideranças no PSD, ao extinguir o pluripartidarismo e instituir por decreto o bipartidarismo, o golpe militar de 1964 fez desaparecer o lendário PSD, depois de promover uma baixa entre os principais quadros do partido, cujo direitos políticos foram cassados, a começar pelo Governador Aurélio do Carmo, pelo vice-governador, Newtom Miranda, e pelo Prefeito de Belém, Luiz Gaolás Moura Carvalho.

Jader Barbalho, por conta disso teve sua formação política permeada pela presença de três cardeais do baratismo. Quando jovem ainda, ele conviveu de perto com o ex-governador Aurélio do Carmo, o ex-vice-governador Newton Miranda e Hélio Gueiros.

Jader nunca foi baratista, muito pelo contrário, mas a postura estadista, o carisma que tem com o povo e a forma de tratar os adversários são semelhanças que apenas lembram Magalhães Barata.
Barbalho, em sua juventude era comum passar o final da tarde no escritório de advocacia do ex-governador Aurélio do Carmo no edifício Barão de Belém, na travessa 13 de maio, invariavelmente lá estavam Newton Miranda e Hélio Gueiros além do próprio Aurélio naturalmente .Esse vinculo explica o porquê de Jader já governador tem feito de Hélio Gueiros seu sucessor no início da democratização no Pará.

Novo modelo político importado de São Paulo: o tucanado de cima do muro

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No resgate dessas historias da política paraense, descobrimos a base para a política assistencialista e populista dos políticos paraenses sempre explícitas em suas ações, principalmente nos governos de Hélio Gueiros e dois mandatos de governador de Jader Barbalho, diferenciadas pela política implantada no governo Almir Gabriel, personagem que entrou na política pelas mãos de Jader Barbalho, que depois se alinhou ao projeto neo liberal do PSDB paulista de Mário Covas, onde o enxugamento da máquina administrativa e propostas desenvolvimentistas, vinculados a projetos elitistas são defendidas, em detrimento de projetos sociais voltados para o desenvolvimento social da maioria do povo paraense.

Essa nova fase da política estadual vamos abordar na próxima edição onde iremos enfatizar os projetos desenvolvimentistas, privatistas, distantes da realidade da pobreza do Estado do Pará.

 

 

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