Não está na hora do brasileiro fazer greve também?

Publicado por Reinaldo Araújo em 25/05/2018 às 14h36

Governo fragilizado é pego de surpresa em greve que deveria servir de exemplo para o Brasil

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Enquanto à esquerda e o PT tentam manter a candidatura de Lula à presidência da República com apelos jurídicos e muita vitimização, e a direita entreguista e golpista tenta encontrar um candidato em meio a um governo desmoralizado, corrupto e satanizado pelas pesquisas eleitorais como o pior governo dos últimos 30 anos, o povo brasileiro vai de mal a pior.

Com relação ao Movimento dos Caminhoneiros, segundo matéria da BBC-Brasil, no dia 16 de maio, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) apresentou um ofício ao governo federal pedindo o congelamento do preço do óleo diesel e a abertura de negociações para conter a greve, mas foi ignorada.

Assim, no dia 18 (última sexta-feira), a organização lançou um comunicado em que mencionava a possibilidade de paralisação a partir de segunda-feira (23), o que de fato ocorreu.

O Movimento nasceu sentindo no próprio bolso

É importante ressaltar que não existe uma organização que possa ser apontada como líder da paralisação, a proposta de greve começou a circular de forma espontânea em redes sociais e grupos de WhatsApp pelos caminhoneiros

Ainda segundo a BBC-Brasil, no começo de quarta-feira, ministros deram declarações afirmando que os efeitos da greve não eram tão profundos. À tarde, no entanto, Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo) e Valter Casimiro (Transportes) receberam organizações ligadas à categoria.

Antes do encontro, o próprio presidente Michel Temer discutiu o assunto com Padilha e com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, além do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e os instruiu a pedir uma trégua de três dias aos caminhoneiros para que pudesse ser encontrada uma solução.

O pedido de Temer não foi atendido, e as entidades reafirmaram que a greve continuaria.

O que é importante compreender que as reivindicações dos caminhoneiros são justas e reais. A maioria da riqueza e da economia do Brasil passam pelo transporte rodoviário, mas o combustível e o frete acabam com qualquer projeto de sucesso para esses trabalhadores. Quanto a economia, só pra se ter uma ideia, segundo Roberto Sena do DIEESE, mas de 40% do que os paraenses, digo Região Metropolitana de Belém, consomem vem de fora do Estado. É pelas estradas que vai o Agronegócio para os portos de Santarém, Barcarena, São Luís, Salvador e Santos. É pela estrada que o desenvolvimento passa.

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Movimento de protesto ou Locaute?

Enquanto o direito à greve é garantido pela Constituição Federal de 1988, o locaute é ilegal no Brasil. Mas o que significa esse conceito que tem sido atribuído à paralisação dos caminhoneiros?

Locaute vem da palavra em inglês lock out e é o termo utilizado quando os patrões e empresários de um setor se recusam a fornecer os instrumentos de trabalho para os trabalhadores exercerem suas atividades. Em outras palavras, o locaute é uma paralisação coordenada e incentivada pelos empregadores em prol dos interesses da própria empresa, e não dos trabalhadores.

Por outro lado, a socióloga e escritora Marília Moschkovich postou diversas informações no Twitter sobre a verdadeira natureza da “greve” dos caminhoneiros. A pesquisadora defende, na verdade, que trata-se de um locaute, paralisação de empregados pelas organizações patronais da categoria.

Porém, se deve atentar para uma situação. O subsidio que o governo dará para o diesel terá que ser pago por alguém, ou seja, o contribuinte. Mas porque gerar apenas subsídio ao diesel, será que essa “benevolência” do governo vai reduzir o preço do produto das prateleiras dos supermercados?

Nem todo o brasileiros tem veiculo movido a diesel, mas todos sabem o valor da Cesta Básica, será que não está na hora de se fazer uma greve exigindo subsídios dos gêneros da Cesta, não seria um bom movimento nesse sentido?

É importante compreender que o eixo de redução de impostos do diesel é correto, mas quem vai pagar essa conta, todos os brasileiros. Concordo com Marília Moschkovich quando ela afirma que o movimento deveria exigir o retorno ao modelo anterior de regulamentação do preço e o banimento das petroleiras estrangeiras.

A questão central é que esse movimento não inclui em primeiro momento a sociedade como um todo, que fica em casa vendo pela televisão, dependendo do trabalho do caminhoneiro para o abastecimento do comércio da alimentação, do combustível, e principalmente do setor público, como hospitais, que começam a sofrer com a falta de oxigênio, medicamentos e outros.

Como diria Carlos Drummond de Andrade, "Stop, a vida parou ou foi o automóvel...?"

O importante desse movimento está na demonstração de que esse governo é feito de vento e da política voltada para as grandes indústrias e o pessoal do agronegócio, quem em última instância são os que se beneficiarão com o “acordo” com o governo federal, até o último caminhão transportado com soja ou milho para os portos com a supersafra desse ano. Enquanto o diesel é subsidiado pelo governo com dinheiro público, o povo continua convivendo com a carestia do dia a dia.

 

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