Negros ainda não têm destaque na política

Publicado por Reinaldo Araújo em 26/08/2018 às 10h48

Dados do TSE comprovam que a política no Brasil é feita por brancos

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Segundo dados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicadas no dia 26/08, no Diário Online, o percentual de candidatos negros cresceu nas eleições de 2018 em relação ao último pleito presidencial, em 2014, mas segue abaixo da proporção encontrada na população brasileira. 

Das mais de 28 mil pessoas concorrendo a um cargo eletivo neste ano, quase 12,9 mil se declaram como pardas ou pretas, o que corresponde a 46,2% do total. Segundo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pardos e pretos são considerados como negros em conjunto. Esse ano se declararam brancos 52,7% dos candidatos.

Há quatro anos, 44,3% dos candidatos eram negros e 55% eram brancos, um aumento de 1,9 ponto percentual para os negros e uma queda de 2,2 pontos percentuais para os brancos. Não é possível comparar com eleições anteriores, já que os dados de cor de pele dos candidatos não eram contabilizados antes de 2014.

Realidade branca

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Mesmo com o ligeiro aumento, as proporções das eleições deste ano continuam não refletindo a realidade do país, já que a maioria dos brasileiros se enquadra como negro, 47,1% pardo e 8,8% preto, totalizando 55,9%, e não como branco, como acontece entre os candidatos. Os dados são do segundo trimestre de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

A Pnad trimestral não contabiliza amarelos e indígenas de forma separada, mas apenas em conjunto com as pessoas sem declaração de cor de pele. Por isso, a proporção apresentada de 1,1% pode ser ligeiramente menor na realidade.

Congresso Nacional de brancos

Nas eleições de 2014, dos 513 deputados federais eleitos, 411 eram brancos, ou 80,1% do total. Outros 21 eram pretos (4,1%), e 81, pardos (15,8%). A proporção foi parecida com a encontrada nas eleições para senadores: das 27 vagas preenchidas em 2014, 22 foram para candidatos brancos, ou 81,5% do total.

Por conta disso, Ynaê Lopes dos Santos, professora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (FGV). acredita que a eleição de um presidente negro ainda esteja longe. "O Brasil ainda é, infelizmente, permeado pelo mito da democracia racial que, dentre outros males, considera uma perda de tempo falar em racismo, pois, em tese, todos os cidadãos são iguais. Esse é o argumento utilizado por muitos candidatos à Presidência no quadro atual, que se recusam a fazer uma discussão aberta sobre o racismo no Brasil e as desigualdades que ele gera", afirma.

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