O afastamento de Dilma vai acabar com a corrupção no Brasil?

Publicado por Reinaldo Araujo em 12/03/2016 às 10h13

Novos valores culturais e a fiscalização do eleitor podem mudar o atual cenário.

Dilma

 

Não obstante ao tema em discussão, queremos mostrar nesse ensaio que a corrupção não é algo assim tão novo no Brasil, como diria a presidenta Dilma, na verdade é uma “velha senhora". Passando pelo tráfico ilegal de negros, as facilidades ao contrabando de ouro nas Minas Gerais.

Antes do Primeiro Império, o Brasil se encontrava infestado de aventureiros, ao mesmo tempo em que respondia pela metade da produção mundial do ouro no século 18. A data e o local da descoberta do primeiro filão de ouro no Brasil são desconhecidos, mas desde os primórdios da exploração econômica na colônia, há registros de desvios e proveitos ilícitos envolvendo funcionários da Coroa portuguesa.A corrupção envolvia favorecimento ao contrabando, mediante propinas, fraudes nas primeiras eleições, suborno, sonegação, favorecimento a aliados políticos. Eram extraídos proveitos ilícitos desde as obras e serviços públicos até o tráfico de escravos, passando pela relação com a imprensa que nascia. O grande filão dos primeiros corruptos era a exploração do ouro.

Os casos mais escandalosos caiam na boca do povo e chegavam a virar chacota em versos populares. O hábito de transformar a roubalheira pública em piada também vem de longe.

Ouro

FAVORECIMENTO

Um dos brasileiros, que iniciou essa linhagem de ladrões está Manuel de Borba Gato (1649-1718), paulista, onde Iniciou suas atividades com o sogro, Fernão Dias Pais. Quando faleceu, com quase 70 anos de idade, ocupava o cargo de Juiz ordinário da vila de Sabará.

Borba Gato, além de descobridor de minas, foi hábil administrador no fim da vida. A relação entre Artur de Sá e Meneses e Borba Gato ainda renderia, pois o governador da Repartição Sul do Brasil tinha fama de corrupto e, em 1698, pretendia abrir caminho para ligar o Rio de Janeiro à recém-descoberta região das Minas de Ouro, atual Minas Gerais.

O paulista Amador Bueno da Veiga fez uma proposta para abrir o caminho, mas recusada por ser considerada muito cara. Porém, a proposta foi apresentada por Garcia Rodrigues Pais Leme, filho do bandeirante Fernão Dias e cunhado de Borba Gato, que foi aceita. Garcia Rodrigues tinha fama de sonegador e falso descobridor de lavras de ouro, mas Sá e Meneses justificou ao rei a preferência a ele, ao afirmar que Rodrigues se portara “com todo zelo e desinteresse”.

Na verdade, a proposta foi mais cara (superfaturamento). Acontece que o governador era praticamente sócio de Borba Gato. A estrada foi inaugurada incompleta em 1702 (obras incompletas não são também novidade nos dias de hoje) e só seria concluída em 1725, já com outros construtores. Mesmo assim, Garcia Rodrigues obteve da Coroa exclusividade na taxação sobre os negócios feitos pela rota e na exploração das travessias de rios em canoas. Foi nomeado ainda para diversos postos civis e militares e conquistou o título de fidalgo para os descendentes. Como recompensa, o governador recebeu de Borba Gato, encarregado por distribuir os pontos de exploração de ouro, algumas das melhores reservas. Em cinco anos, juntou 440 quilos do minério.

Bom, o que eu quero dizer com isso, é que passamos mais tarde pelas negociatas da Política do “Café com Leite”, onde político de São Paulo e Minas Gerais se revezavam no poder central, os acordos com os EUA na Era Vargas, o endividamento com o FMI, com a construção de Brasília e da política dos “50 Anos de Progresso em 5 Anos de Mandato”, no governo de Juscelino Kubitschek, os “Grandes Projetos” da Ditadura Militar, os escândalos do governo de José Sarney.

Mas recentemente na História do Brasil, muito antes do Mensalão do PT, temos a privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce, que foram marcadas pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, foi acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Contudo, o maior escândalo se deu com o uso do Banestado (um banco estadual) para o desvio e lavagem de dinheiro, rumo aos paraísos fiscais, da ordem de R$ 124 bilhões. Até hoje, o governo brasileiro só recuperou R$ 2,2 milhões desses recursos. Aí, depois vem o Mensalão e tudo que estamos vendo hoje na “telinha” da Globo, a maior beneficiária com a privatização das Telecomunicações no Brasil.

“PATRIOTAS”, NÃO ESQUECERAM NADA, NÃO? E, TAILÂNDIA?

Pois é! Muitos amigos nossos se fazem “clamorosos patriotas”, pedindo, pedindo não, exigindo, até em sonho, o afastamento da presidenta Dilma, fazendo com que a maioria dos brasileiros acreditem que com a saída de Dilma e do PT do governo, acabará simplesmente assim com a corrupção no Brasil. Na verdade, o pedido do afastamento de Dilma tem eco em milhões de brasileiros insatisfeitos com a política nacional. Nesse caldeirão vêm também os oportunistas de vésperas de eleição e também os coronéis, os autoritários, os machistas e os derrotados das eleições passadas que não se conformaram ainda.

Gostaria de lembrar aos amigos, que só se acaba com a corrupção com coragem e denuncia. Pegando o exemplo local: todos sabem dos desvios e das “malcatruas” que acontecem dentro da Prefeitura de Tailândia. As obras que nunca acabam, do enriquecimento de poucos. Mas, quando foi que os ilustres amigos “patriotas” se dispuseram a enfrentar a poeira, a lama e o sol da manha de Tailândia para pedir a saída do prefeito Ney? Mesmo sabendo, através da própria Transparência da Prefeitura dos abusos de poder, contratação de super marajás, que arrebentam a folha de pagamento com altos salários, enquanto os servidores municipais amargam nove anos de perdas salariais. Cadê os amigos “patriotas”? Enquanto isso a Secretaria de Saúde, no apagar das luzes da gestão, compra quatro ambulâncias, ótimo, com dinheiro do Fundo Municipal de Saúde, mas cadê os mais de 120 mil reais devolvidos pela Câmara dos Vereadores, em 2013, para compra de uma ambulância. Aonde foi parar esse dinheiro?

Enfim, a saída de Dilma não vai acabar a corrupção. Sergio Moro, com certeza vai se tornar um “mártir’ da Justiça brasileira e ganhar muitos prêmios internacionais por ter enfrentado os políticos que se achavam inatingíveis. Essa vai ser mais uma lição da História Brasileira e ser aprendida em salas de aula, depois vamos ver aonde isso vai acabar.  

SAIBA MAIS SOBRE A CORRUPÇÃO NA HISTÓRIA DO BRASIL:

CORRUPÇÃO NO BRASIL ANTES DA REPÚBLICA:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/dom/2015/03/21/noticiasjornaldom,3410687/a-corrupcao-no-brasil-antes-da-republica.shtm

A IDADE DO OURO E O CONTRABANDO

http://momentspopbr.blogspot.com.br/2015/01/a-idade-do-ouro-e-do-contrabando.html

OS GRANDES ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO

http://dissentirecontravir.blogspot.com.br/2012/08/os-grandes-escandalos-de-corrupcao-da.html

Enviar comentário

voltar para Home

left show fwB tsN b01s bsd|left tsN fwB|left show fwB tsN|bnull|||news login uppercase c05 b01 bsd|fsN fwR uppercase b01 c05 bsd|fwR c05 uppercase b01 bsd|login news fwR uppercase b01 c05 bsd|tsN fwR uppercase b01 c05 bsd|fwR c05 uppercase|content-inner||