O grande desafio é a geração emprego em Tailândia – Parte Final

Publicado por Reinaldo Araujo em 11/02/2017 às 17h01

O desemprego e o desejo de melhorias

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Extrativismo madeireiro e o legado maldito

Hoje ao entrar em Tailândia pela PA-150, seja sentido Moju ou Goianésia se verifica o grande número de senhoras e senhores vendendo cafezinho na beira da estrada. No Centro, são dezenas de camelos, vendedores de “CDs Piratas”, crianças vendendo cocadas, barraquinhas de bombons, nos bairros periféricos senhores que um dia manuseavam motosserras hoje tem que pedir quintal a quintal uma “capinação” por 10 reais ou um prato de comida.

Pois é, esse é o retrato da cidade que a quase uma década atrás se orgulhava de ser 23º PIB do Pará, tudo a custas do extrativismo da madeira, mas o “El Dorado Verde” virou cinza e acabou. Hoje os senhores acima de 50 anos de idade não sabem fazer mais nada se não cortar madeira.

Esse foi o legado maldito das serrarias. Nenhum curso de capacitação ou qualificação. Massas humanas treinadas somente para um ofício, mas o ciclo da madeira acabou. Poucos ficaram ricos e muitos na pobreza.

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Educação: o melhor caminho

Sem dúvida uma das ações para empurrar o desenvolvimento do município é a Educação. E isso não é retórica. É preciso qualificar a mão de obra jovem de Tailândia, principalmente no que se refere às novas tecnologias, seja das Tecnologias da Comunicação, Biologia, Formação de Educadores, motoristas de máquinas modernas, mecânicos, profissionais do campo, mas isso só se faz com investimento na Educação.

Acredito que seja uma grande saída para garantir mão de obra qualificada para o município num momento de expansão do Agronegócio na região, a implantação de cursos de Universidades Públicas e Privadas, Cursos do SESI e SESC, cursos tecnológicos, entre tantos, transformando Tailândia num "bolsão" de mão de obra qualificada para todo o nordeste do Pará.

Crises e caos

Com a Operação Arco de Fogo, em 2008, foi registrado 10.143 pedidos de seguro desemprego em Tailândia. Esse foi o grande impacto na economia que ainda sofremos até hoje.

Muitas famílias tiveram que sair da cidade, lembro-me quando cheguei aqui em Tailândia em que via quadras inteiras do bairro do Aeroporto com casas abandonadas, literalmente muitas ruas e bairros ficaram igual as cidades  fantasmas do “velho oeste” americano que viamos nos filmes de “bang Bang”; supermercados com estoque intocável nas prateleiras e muita desilusão.

Outro baque em Tailândia foi a miragem retocada como um oásis que foi a Belém Energia, que começou bem com mais um empreendimento de capital nacional e internacional que empregou cerca de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras, mas em 2015, com a crise econômica e os escândalos da Petrobras, o sonho acabou.

Hoje pelos dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego, em 2016 houve 2.876 admissões, contra 3.220 demissões, o que gerou um saldo negativo de menos 344 postos de trabalho.

QUADRO DE ADMITIDOS E DEMITIDOS EM 2016

Município

Total/Admitidos

Total/Desligados

Saldo

Variação/Empresa

Tailândia

2.876

3.220

- 344

- 3,53 %

FONTE: MTE-CAGED - CADASTRO GERAL DE EMPREGADOS E DESEMPREGADOS-LEI 4923/65 - SINE TAILÂNDIA

O comércio de Tailândia, teimoso, continua a funcionar, apesar da inadimplência, mas sobretudo o Serviço Público é ainda o que faz o movimento econômico girar, com a folha de pagamento da Prefeitura (PMT) de cerca 4 milhões, porém numa situação complicada.

Segundo a Secretaria de Administração da PMT, atualmente a folha de pagamento de pessoal da prefeitura compromete 64% dos gastos, isso para a Lei de Responsabilidade Fiscal é uma tragédia para qualquer administração pública.

“Para que possamos ter equilíbrio das contas do município é precisa baixar essa folha para pelo menos 54%, caso contrário podemos ter recursos e convênios comprometidos”, afirma Maria Izabel Camelo da Cunha, secretária de administração da PMT.

Como vimos, a falta de respeito com o meio ambiente, as crises conjunturais da economia brasileira e a falta de responsabilidade de gestões passadas têm contribuído para a crise municipal. A questão não era a falta de dinheiro, como sempre foi alegado, mas simplesmente a incompetência para se administrar a coisa pública.

Esperamos sinceramente que se possa pensar um desenvolvimento social, ambiental e econômico para Tailândia, basta ter pulso forte. Sabemos que boas notícias sempre virão acompanhadas de más notícias, mas Tailândia deve ser colocada nos eixos, com propostas e ousadia.

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