O meu medo é que temos uma Mariana em nosso quintal

Publicado por Reinaldo Araújo em 26/01/2019 às 09h53

Uma barragem de rejeitos da mineradora Vale se rompeu nesta sexta-feira (25), em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte.

Quantas Marias e Anas ainda vão ter que acontecer?

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As autoridades da cidade pediram para a população manter distância do leito do Rio Paraopeba, um dos principais afluentes do São Francisco. Segundo a Vale, o incidente ocorreu no reservatório da Mina do Feijão, e os rejeitos atingiram a zona administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco. Os grupos de salvamentos especulam mais de 100 desaparecidos

O Brasil é incapaz de aprender com suas grandes tragédias

A barragem rompida no dia 5 de novembro de 2015, era conhecida por barragem do Fundão, em Mariana-MG, e era de propriedade da Samarco Mineração S/A e Vale.

A barragem de Fundão entrou em operação em dezembro de 2008. Cinco meses depois, em abril de 2009, o lançamento dos rejeitos teve que ser interrompido porque houve forte percolação no talude de jusante do barramento.

A percolação nada mais é do que a passagem de material líquido para e pelo interior do maciço do barramento.

No dia 5 de novembro de 2015, aproximadamente às 15h30, aconteceu o rompimento da barragem. O colapso da estrutura  ocasionou o extravasamento imediato de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e sílica, entre outros particulados, outros 16 milhões de metros cúbicos continuaram escoando lentamente, dizimando 19 vidas e desalojando várias famílias.

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Segundo o site do MPF, dia 5 de novembro de 2015, quando a barragem rompeu, em sua “rota de destruição, à semelhança de uma avalanche de grandes proporções, com alta velocidade e energia",

“Todo o setor produtivo trata até hoje a tragédia de Mariana como acidente. E as mortes do caso como externalidades da atividade da mineração. As mortes fazem parte do negócio”, completou o promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto.

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Nosso quintal: Norks Hydro

Em 12/02/2018, o Blogue Ver o Fato, do jornalista Carlos Mendes, já denunciava mais uma vez, problemas nas barragens da Norks Hydro, em Barcarena-PA, “As barragens de rejeitos de bauxita da multinacional norueguesa Norks Hydro estão operando no limite e as chuvas intensas que têm caído na região de Barcarena agravaram o problema. Moradores informaram ao Ver-o-Fato que há ameaça de rompimento dessas barragens”.

O mesmo Blogue, descreve, “Para que se tenha noção do risco que correm as milhares de famílias que vivem no entorno da Hydro Alunorte, as bacias têm cerca de 30 metros de altura, enquanto as residências possuem apenas 3 metros. São residências de madeira sem nenhuma proteção de eventual avalanche de lama vermelha”, afirma Mendes.

Carlos Mendes lembra, que “Em 2009, as bacias da Alunorte vazaram, provocando graves consequências ambientais e sanitárias, como se não bastasse a fuligem expelida pelas fábricas das multinacionais a contaminar o ar que todos respiram. O ‘acidente’ ocorreu em abril de 2009. 

Na época, “Após chuvas intensas, houve vazamento da substância conhecida por lama vermelha, resíduo altamente tóxico proveniente do beneficiamento da bauxita, que estava armazenada em uma bacia de contenção de rejeitos industriais da Alunorte. A substância transbordou de um dos canais de contenção da mineradora e atingiu o rio Murucupi, contaminando matas, igarapés e as nascentes do rio”.

Isso tudo acontecendo aqui ao lado, em nosso quintal, será que vamos ter que aprender com as grandes tragédias de Minas para se tomar providências?  

 

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