O novo perfil dos evangélicos no Brasil.

Publicado por Reinaldo Araujo em 18/06/2017 às 12h33

Os evangélicos hoje

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Novas definições

Como definir a pessoa que se classifica como evangélico? E que traços a identificam e distinguem daquela que não se apresenta como tal? Há algumas décadas, uma resposta evidente seria: “Evangélicos são os bíblias, que andam de terno ou saia longa no domingo e vão à igreja de crentes.”

Preconceituosa, reducionista e pejorativa, tal definição, era a mais comum no passado. Porém, o estereótipo de que crente é gente pobre também caiu por terra: ao contrário de seus pais, os evangélicos de hoje, ou melhor, parte significativa deles, já não têm pudores em acumular bens materiais e almejar a prosperidade neste mundo.  

Além disso, escândalos recentes envolvendo líderes e denominações religiosas, principalmente nas últimas duas décadas, mancharam a imagem de probidade antes atribuída a todos os protestantes.

Dessa forma, qualquer definição reducionista já não é mais capaz de abranger um conceito tão amplo. Mas a definição mais antiga servia, ao menos, como forma de distinguir os cristãos protestantes, que também eram notados pelo modo de vida frugal e conduta modelar. Ser “bíblia” era sinônimo de integridade em outros tempos.

Os evangélicos em Tailândia

Enquanto que no Brasil, 25% de brasileiros hoje se identificam como evangélicos, em Tailândia, nordeste do Pará, cerca de 20,3% da população se declarou evangélico no Censo de 2010, ou seja, quase a metade dos católicos 41, 4% do município, sem dúvida esses números já devem ter evoluído, mas nosso objeto nesse trabalho é atualizar os estudos sobre religião e política.

Pesquisa DataFolha

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Pesquisa feita pelo Instituto Datafolha e seus resultados publicados no último final de semana (11/06) revela como seria o perfil da nova geração de evangélicos que hoje chega a ocupar metade dos bancos das igrejas.

Temas como aborto, casamento gay, adoção de filhos por homossexuais e outros valores foram pesquisados.

A edição de domingo da Folha de S.Paulo traz a pesquisa nacional do Datafolha , realizada em 211 municípios, que traçou um novo perfil da família brasileira. O resultado indica uma mudança nos hábitos, valores e opiniões no país desde 1998, quando a Folha realizou a primeira edição do mesmo levantamento.

Entre as principais mudanças detectadas pela pesquisa, entre os dois períodos, está a maior tolerância das famílias para aspectos como perda da virgindade, sexo no namoro e na casa dos pais, gravidez sem casamento e homossexualidade.

Por outro lado, cresceu a rejeição à prática do aborto, o uso de drogas é condenado, e a fidelidade é mais valorizada que uma vida sexual satisfatória.

Vistos como versáteis e adaptados ao mundo moderno, os evangélicos da nova geração parece ser o resultado de pessoas que procuram fazer uma leitura mais contextualizada do mundo. Segundo o Instituto, 44% deles são ex católicos convertidos.

Citando a “Bíblia da Garota de Fé”, de capa cor de rosa e termos como “Mandando bem” e “Ah, tô ligada”, a pesquisa publicada no Folha de São Paulo revela que mais da metade dos que ocupam hoje os bancos das igrejas evangélicas são os jovens, desses 58% frequentam outras igrejas evangélicas.

Outro dado importante é que ¾ dos entrevistados acham que a homofobia deve ser punida por lei, com 2/3 dos mais velhos defendem a punição.

 Aborto e Casamento Gay

A pesquisa também revela que mais de 70% dos evangélicos até 35 anos são contrários ao aborto. Já entre os que possuem mais de 60 anos, esse número cai para 54%. Os dados, ao que parece, são confirmados também por outro levantamento, feito por Paraná Pesquisas, mostrando que 73,7% são contra o aborto, sendo 78,2% das mulheres contra 68,7% dos homens, segundo matéria publicada no site da VEJA.

Em relação ao casamento gay, o Instituto Datafolha afirma que 56% dos jovens evangélicos são contrários, contra 28% a favor. O número dos favoráveis cai ainda mais conforme aumenta a idade. Entre os que possuem de 30 a 35 anos, são 14% os que aprovam, restando apenas 5% de favoráveis para os que tem acima de 60 anos.

Bebidas e Vestimenta

Sobre alguns aspectos do estilo da vida comum, como o hábito de ingerir bebidas alcoólicas e de se vestir, a pesquisa Datafolha revelou que de cada 10 menores de 24 anos, 4 não conseguem seguir completamente a recomendação de suas igrejas para “não beber”. Esse número cai pela metade nos que possuem mais de 60 anos.

43% dos jovens evangélicos levam em consideração conteúdos da TV e da internet considerados impróprios e apenas um terço se preocupa com as recomendações doutrinárias sobre o estilo das roupas que usam no dia-a-dia.

O Instituto Datafolha ouviu 2.828 brasileiros, maiores de 16 anos, em 174 municípios. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Reformas Políticas e os evangélicos

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Enquanto que os deputados pastores vão na contra mão das Igrejas Evangélicas, presidentes e representantes das igrejas evangélicas históricas divulgaram no dia 23 de março, um pronunciamento se posicionando contra a Proposta de Emenda à Constituição 287/2016, conhecida como a PEC da Reforma Previdenciária.

O documento foi assinado por várias entidades, como a Aliança Evangélica Brasileira, Convenção Batista Brasileira (CBB), Convenção Batista Nacional (CBN), Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), Rede Evangélica Nacional de Ação Social (Renas), entre outras.

Além de argumentar que a Reforma não condiz com a realidade do país, pois não leva em conta a economia informal (falta de registro em carteira), do subemprego e do desemprego, vivida por muitos brasileiros, o documento finaliza conclamando os membros de suas igrejas “a orar pelo bem de nossa nação e que Deus nos permita construir um país em que justiça social e cuidado com os mais necessitados seja pauta permanente de nossas políticas públicas”.

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