O Pará, o desenvolvimento e a divisão do Estado

Publicado por Reinaldo Araujo em 09/09/2017 às 09h35

O Pará, o desenvolvimento e a divisão do Estado

DIV 1

O Pará e a sua importância para o Brasil

O Pará é o segundo maior Estado do Brasil, com uma população estimada em mais de 8.366.628 milhões de habitantes, um PIB próximo dos R$ 50 milhões, o 13º do país e uma população com uma renda nominal per capta de R$ 708,  que tem como principal motor da economia a extração mineral e vegetal, mas que por ironia ou não, o primeiro curso de engenharia de minas do Estado foi criado apenas em 2004, pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Apesar de ser grande exportador, tendo o porto de Santarém como principal escoador da soja do Mato Grosso, cursos de engenharia naval e florestal foram criados recentemente, tendo poucas turmas formadas.

Para o diretor da Faculdade de Geografia da UFPA, João Marcio Palheta, “o Pará ainda precisa se debruçar com mais profundidade sobre debates mais urgentes, como o da formação de mão de obra especializada e planejamento de suas atividades de base econômica para verticalização do setor extrativista mineral e agrícola, para que possamos deixar de ser colônia do capital internacional, bem como mero fornecedor de energia e matéria prima para o sul e sudeste do Brasil” afirma o professor.

Dividir para enganar (dividir para conquistar)

Em política e sociologia, dividir para conquistar ou dividir para reinar, consiste em ganhar o controle de um lugar através da fragmentação das maiores concentrações de poder, impedindo que se mantenham individualmente.

O conceito refere-se a uma estratégia que tenta romper as estruturas de poder existentes e não deixar que grupos menores se juntem.Esse conceito foi utilizado pelo governante romano César (divide et impera),

Infelizmente, para as elites paraenses, quando se fala em desenvolvimento regional, cada uma pega a sua fatia e se preocupa mais com decisões de “sim ou não” a respeito da fragmentação do Estado.

É de fundamental importância que iniciemos a discussão da falta de investimentos à agricultura familiar, da ausência de política de reforma agrária na região e da corrupção, como fatores que entravam o desenvolvimento do Estado. Isso os políticos não discutem.

Quando se fala em desenvolvimento do Pará, as elites querem discutir sempre o “sim” e o “não”, se fragmenta ou não. Como foi o caso de Plebiscito de 2011 pela criação dos Estados do Tapajós e do Carajás.

Nesse sentido, está de parabéns a população moradora da região Centro-Oeste do Pará, onde seria, se houvesse a separação, o Estado do Tapajós, que na verdade foram os votos que decidiram pela manutenção do Pará inteiro, pois compreenderam que com a divisão somente os paraenses iriam sofrer.

Foi em 11 de dezembro de 2011, que os eleitores paraenses decidiram, em plebiscito realizado, manter o Estado do Pará com o território original. O resultado indicou que 66,59% escolheram "não" para a criação do estado de Carajás e 66,08% rejeitaram a criação do estado de Tapajós.

Mas, será que a divisão do Estado resolveria o problema dos conflitos políticos, daqueles que não se sentem tão bem beneficiados pela política paraense?

As populações tanto do Tapajós quanto do Carajás se fossem criados, aqueles que realmente precisam de educação, saúde e emprego, continuariam na mesma situação em que estão, ou até mesmo pior.

A disputa pela criação de novos Estados é política e tem um discurso de uma elite política econômica, que não é o mesmo da sociedade. É um discurso de manter e ampliar seus privilégios.

Para se ter uma idéia, se você fizer essa pergunta, até mesmo para os políticos que pleiteiam os novos Estados, eles não saberão dizer.

Para João Marcio Palheta, se a questão da separação era cultural, “o conceito de identidade territorial dessas populações, principalmente Carajás, não existe devido a confusão das culturas dos povos que vivem nessa região” enfatiza.

Talvez o Tapajós tenha um pouco, por conta da questão do rio, das tradições, mas mesmo assim essa identidade toda do Tapajós, que é muito mais antiga, do que as mudanças econômicas que ocorreram nos últimos 30 anos, tanto em um, quanto no outro, alteraram pouco a configuração da política local.

Esses povos distanciaram-se um pouco do regionalismo paraense, mas ao mesmo tempo não criaram seus próprios regionalismos.

Por fim, há muito por fazer e muito a se discutir. Desde 1772, quando o Estado do Grão-Pará e Maranhão foram divididos em duas unidades administrativas: o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, com sede em Belém, e o Estado do Maranhão e Piauí, com sede em São Luís, quase nada se fez senão continuar submisso aos desejos das elites dominantes, interna e externas, que nunca deixaram de lutar e garantir seus privilégios, tais como dinheiro e terras, em detrimento de milhares de milhões de ribeirinhos, trabalhadores rurais, e todos os trabalhadores excluídos da posse da terra, do emprego e da cidadania.

 

 

 

 

 

Enviar comentário

voltar para Home

left show fwB tsN b01s bsd|left tsN fwB|left show fwB tsN|bnull|||news login uppercase c05 b01 bsd|fsN fwR uppercase b01 c05 bsd|fwR c05 uppercase b01 bsd|login news fwR uppercase b01 c05 bsd|tsN fwR uppercase b01 c05 bsd|fwR c05 uppercase|content-inner||