O Perfil do vice governador do Pará

Publicado por Reinaldo Araújo em 05/05/2018 às 08h27

O candidato a vice-governador do Pará vai cumprir um papel estratégico e decisivo nessas eleições

VICEImagens: Google

A política paraense continua sendo a mesma: tudo se espera até o último minuto das convenções partidárias, que deverão ocorrer até o dia 05 de agosto, mas desde já a disputa começa a ter dois favoritos: o ex-ministro de Temer, Helder Barbalho (MDB), e o presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA) e preterido do governador Jatene, Márcio Miranda (DEM).

Ficar quieto antes da guerra é ser sensato

Como se era de esperar, Helder Barbalho fica na moita, acompanhando à distância as últimas notícias da Lava-Jato e torcendo para que nenhuma investigação venha ao seu encontro ou ao de seu pai, e claro, fazendo articulações.

Enquanto isso,Márcio Miranda trata de criar corpo a sua campanha, reunindo com grupos de empresários, prefeitos, vereadores, dirigentes partidários. Que apesar de ser considerado um hábil negociador e generoso homem público, o trabalho de agitação e propaganda ainda não lhe deu o destaque merecido.

Sabemos que as elites paraenses têm seus interesses divididos por regiões, e o foco dessas barganhas políticas geralmente estão no Sul do Pará. Para facilitar a compreensão do leitor, em 2014, o Estado do Pará tinha 5.188.450 eleitores, divididos em 144 municípios, mas vamos nos remeter a entender a composição política a partir dos municípios do sul e do oeste do Pará, analisando os principais município e suas regiões.

Parte da Região Metropolitana.

Belém

1.023,169

Ananindeua

264.538

Marituba

65.860

Total

2.334.467

  Fonte: Justiça Eleitoral (TRE-2014)

Sul do Pará

Marabá

151.555

Paragominas

63.420

Parauapebas

135.415

Total

350.390

  Fonte: Justiça Eleitoral (TRE-2014)

Oeste do Pará

Santarém

201.964

Altamira

65.552

Total

269.516

 Fonte: Justiça Eleitoral (TRE-2014)

A grosso modo, poderíamos até dizer que quem define a eleição no Estado é a Capital. Nada disso. O Pará tem profunda cultura política interiorana, onde o que manda é o voto do cabresto, característico da relação provinciana das elites das regiões norte e nordeste do país, permeados pelo assistencialismo e pelo populismo dos prefeitos. Então, as elites regionais têm esse poder: o poder da decisão.

A Região Metropolitana vai dividir seus votos, como sempre, entre as elites do comércio e das comunicações, a “elite intelectual” de funcionários públicos endividados e sem aumento salarial, e a classe média centrista. Nessa salada ideológica, a pré-candidata ao senado Úrsula Vidal sai favorecida e “surfa”, podendo disputar de mano-a-mano uma vaga, esperem só pra ver.

Porém, o que vai valer mesmo é o poder de articulação dos candidatos com as lideranças interioranas. Por isso, não dá para esquecer a importância decisiva do oeste do Pará com relação ao plebiscito de divisão do Estado, onde o município de Altamira foi fundamental.

Para se ter uma ideia, o “sim”, pela divisão do Estado, venceu em todos os 39 municípios que ficariam no território de Carajás e também na grande maioria de Tapajós. Em um total de 27 cidades, apenas quatro votaram contra a divisão: Altamira, Porto de Moz, Senador José Porfírio e Vitória do Xingú. Dessas quatro cidades, três sediam a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.

Quem será o homem do governador?

Mas, a nossa análise desponta nos pré-candidatos a vice de Helder e Miranda. Antes de levarmos em consideração todos os nomes, é preciso dizer que nos bastidores está aberta uma verdadeira temporada de caça ao PR, de Lúcio Vale, o partido que tem o maior número de prefeituras, e dependendo do trabalho desses prefeitos, serão puxadores de voto na certa. Por isso, tanto Miranda quanto Helder estão se empenhado num possível acordo com a sigla.

Dessa forma, Lúcio Vale pode ser vice de Miranda ou de Helder, ou até mesmo senador, dependendo do apetite dos republicanos, e claro, a escolha certa num cenário político nacional que se pode esperar de tudo.

Sobre o partido de Helder, em qualquer situação, ainda aposto no lançamento de um vice-governador de um partido alinhado, não ao MDB, mas uma pessoa de alta confiança de Jader, ou mesmo do próprio MDB.

Na horta de Miranda, os nomes apresentados até agora se destacam como nomes de referência em todo o Estado. Como já disse anteriormente, o próprio Lúcio Vale (PR), Adnan Demarchi (PSDB) e outros que estão sendo sondados, se posicionam bem em diversas regiões, dialogando principalmente com o setor produtivo de alta escala, como fazendeiros, madeireiros, agropecuários, industriais e comerciantes de grande porte.

Por outro lado, Sidney Rosa (PSB), já se decidiu por jogar a toalha da disputa pelo governo e se lança candidato ao senado, indicando apoio de seu partido ao pré-candidato Márcio Miranda, sobrando ainda Beto e João Salame (PP) de Marabá, que apesar de não terem mais a máquina da prefeitura municipal possuem influencia junto ao governo estadual e federal.

Perfil de aliado até a separação

Assim, o pré-candidato a vice-governador de qualquer uma das chapas terá que cumprir alguns critérios: tem que ter política e trânsito nas mais importantes regiões do Estado, tem que ter a confiança do cabeça de chapa e tem que ter voto, independente que seja da cidade ou do interior.

É importante ressaltar ainda que em todos esses anos de governo tucano, apenas um vice tinha perfil de “homem do campo”, Hidelgardo Nunes, mas a escolha se deu mais por ser filho do coronel Alacid do que outra coisa. 

Os vice que fizeram história no "tucanato" paraense

VICE 2

Da esquerda para direita: Hélio Gueiros Jr. Hildegardo Nunes, Valéria Pires Franco, Zequinha Marinho.

Pois bem, há algum tempo a práxis de ser da esfera de competência da cabeça de chapa a escolha do vice ser quase um protocolo, dessa vez o nome do vice-governador, seja de Helder ou Miranda, deverá ser um encontro, uma paquera, um namoro e um casamento, mesmo que o resultado dessa união às vezes seja recheado de traições e desencontros, tal como Almir-Gueiros Jr e recentemente Jatene-Marinho.

Mas de certo, essa eleição é uma questão de honra e sangue, tanto para o MDB, quanto para Miranda, em sua primeira experiência em eleições para o executivo, abandonando uma real vitória, seja para senador ou deputado federal, e principalmente para o PSDB, que se perder a eleição vai contribuir deveras com o aumento índice de desemprego no Estado do Pará, com a literal “reforma” (ou limpeza) do governo do Estado, que com certeza Helder fará se ganhar as eleições.

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