Operação “Arco de Fogo”: 9 anos depois.

Publicado por Reinaldo Araujo em 17/02/2016 às 10h19

A História de Tailândia se divide entre antes da Operação “Arco de Fogo” e um futuro ainda incerto.

 

Vídeo produzido, na época, pela RBA.

Como um Prólongo, termo originalmente usado na tragédia grega para a parte anterior à entrada do coro e da orquestra, na qual se enuncia o tema da peça,  a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de acordo como o Portal Vermelho em 27/10/2007, anunciou que 20 novas operações de contenção de crimes ambientais seriam postas em prática, “a fim de deter o avanço do desmatamento na Amazônia”, confirma a ministra.

Após a reunião com representantes dos ministérios da Defesa e do Desenvolvimento Agrário, e da Casa Civil, a ministra informou na época, que “estão em prática 23 dessas operações, coordenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). As novas operações seriam nos estados que apresentaram aumento nos níveis de desmatamento, especialmente Pará, Rondônia e Mato Grosso”.

Quando cheguei à Tailândia, vindo de Belém, era uma manhã cinza de 19 de fevereiro de 2008. Cansado de cinco horas de viagem, os passageiros da van e eu fomos acordados pelo motorista no meio da estrada que dizia “que dali ele não passava, pois a cidade estava um campo de guerra”. Lembrei-me quando minha mãe me disse antes de subir na van em Belém: “meu filho você tem certeza que tem que ir? Lá é uma cidade sem lei!”, nesse instante pensei que havia chegado na hora de uma guerra civil, de um lado um monte de gente armado de pau e pedra, do outro, soldados da PM, com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, se revezavam no limite do que depois descobri ser a travessa Breves, com a Avenida Belém. Os trabalhadores querendo seguir a frente e os soldados defendendo a área da Praça do Povo.

Dessa forma, em 19 de fevereiro de 2008, quando a Operação Arco de Fogo esteve em Tailândia, o IBAMA relacionou 140 madeireiras, das quais apenas 51 tinham endereço e estrutura física regular. No mesmo mês, foram destruídos 1.174 fornos clandestinos de queima de carvão. Cinco meses depois, boa parte deles já tinham sido reconstruídos, voltando a queimar a floresta. Até mesmo, helicópteros foram utilizados na operação. Uma verdadeira “operação de guerra”. Em sobrevôo sobre os limites dos municípios de Tailândia e Moju até a Terra Indígena Anambé localizou-se 194 fornos de produção de carvão vegetal e dez pontos de desmatamento.

Quando da ocupação do município pelo IBAMA e a Força Nacional, foram apreendidas na região o valor corresponde aos 16,4 mil m³ de madeira ilegal. De acordo com Bruno Versiani, coordenador do IBAMA em Tailândia, o valor médio para cada m³ de madeira é de R$ 400. “É um valor de referência, seja para madeira em tora ou já beneficiada”, disse ele. Segundo balanço divulgado pelo Governo paraense, outros 13 mil m³ de madeira ilegal  foram apreendidos na Operação Guardiões da Amazônia. Também foram destruídos 814 fornos usados por carvoarias, só para se ter uma idéia, o valor de madeira apreendida no momento da operação de multas lavradas já passava de R$ 9 milhões, segundo informações do IBAMA.

 

Porém, há mais de vinte e oito anos atrás, antes mesmo de se tornar vila e ser emancipado, o local era uma grande floresta. O que seria depois Tailândia surgiu de um projeto de colonização que atraiu brasileiros que vieram de longe para produzir alimentos na agricultura, só que para isso era preciso derrubar a floresta. No entanto, a agricultura não foi para frente devido à falta de apoio financeiro e tecnologia, e o que sobrou foi o ganho fácil da industrial e do comércio da madeira. Hoje mais da metade da área do município está devastada e parte da madeira que sobrou continua sendo queimada nas carvoarias clandestinas. Seus trabalhadores são a prova de que o desmatamento só traz riqueza para poucos, trabalho escravo e miséria para muitos, que não aprenderam a fazer outra coisa.

Agora o município vive no processo de transição cultural e econômica já que a base produtiva da extração madeireira está se acabando. A cidade deve seguir para o ramo econômico do Agronegócio, devido ser uma região com amplas terras descobertas e terra boa para o plantio. Enquanto isso, além da crise econômica conjuntural do Brasil, ainda precisamos ser criativos para manter o comércio e nossas vidas funcionando.

Um coisa é certa: a população e as elite políticas e econômicas do município devem se unir para construção de um projeto econômico sustentável, social e ambiental para Tailândia, que não venha a trazer benefícios para poucos, mas sim dar orgulho aos pioneiros da região e para as futuras gerações: os nossos filhos e netos, que nasceram aqui e moram nessa terra.

 

VEJA TAMBÉM:

PORTAL VERMELHO: 

http://www.vermelho.org.br/noticias/25797-10 

HISTÓRIA DE TAILÂNDIA-PA: 

http://www.tailandia.pa.leg.br/institucional/historia 

 

 

 

Comentários

Josefran Almeida em 23/02/2016 15:39:58
Boa tarde!

Caro Reinaldo,

Li seu artigo e de fato os numeros, datas e dados oficiais da operação arco de fogo, são esses que vc enumerou.
Mas a realidade social, economica e ambiental, bem como os numeros da epóca, divergem e muito.
A realidade de Tailãndia é igual a de qualquer outro municipio do Pará ou da amazônia. Crescimento desordenado, falta de projetos, de investimentos, de apoio tecnico, e de politicas publicas pro desenvolvimento sustentavel.
Foram tantos slongans:
"Integrar, para não entregar",
"plante, que o João garante",
"homens sem terra, para terras sem homens".
Emfim, grandes erros!
Mas como disse você, o povo veio povoar e produzir na amazônia. E saimos de 53 municipios, pra 144, em /- 36 anos.
No meu humilde entendimento, é chegada a hora, como você colocou muito bem, de encontrarmos o caminho do crescimento e do desenvolvimento sustentavel. E o caminho de curto e médio espaço de tempo, é o já implantado agronegócio.
E isso tem que acontecer de forma que contemple, o pequeno, o médio e o grande produtor. Desde a agricultura familiar, a produçáo da agricultura de precisão.
Precisamos fazer a mudança de matriz produtiva. Sairmos do extrativismo pra produção, será natural. E temos que fazer essa transição de forma realista e sustentavel.
O carvão já não é mais gerador de emprego e renda, no volume e na intensidade que foi no passado. E isso ocorreu, em função do fechamento do polo siderurgico de Marabá. Nosso minério, deixou de ser exportado, na forma primária.
E a madeira, em Tailãndia, tá se exaurindo. Em especial, as especies vermelhas e nobres.
Mas ainda é o gerador de emprego, renda, e de divisas. Em nossa região, e no estado como um todo.
Infelizmente, não aprendemos a verticalizar. Fomos e somos um estado de producão primária, no uso de nossos recursos naturais.
Mas temos quase 30 milhões de hectares de aréa aberta , prontas pra produzir. E temos que gerar emprego e renda pra população paraense.
Produzir alimentos e deixarmos de ser um estado importador e passar a ser um estado PRODUTOR.
Ah! Tailãndia tem 51 % de aréa aberta e 49 % de remanescentes florestais.

Parabéns pela iniciativa!
Precisamos também produzir noticias positivas e que chamem a atencão da imprensa, dos lideres, dos atores locais e das instituições de classes, dos governos local, estadual e federal.
Ações de regularização fundiarias, ambientais, capacitacão, investimentos, transferencia de tecnologia e politicas públicas.
Corrigindo assim os erros do passado e desenhando um futuro pras proximas gerações.

Abs,
Frank

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