Para historiadora democracia brasileira corre risco

Publicado por Reinaldo Araújo em 06/11/2018 às 10h23

A historiadora prevê criminalização de movimentos sociais, o expurgo do PT e afirma que muitos analistas não acreditam que Bolsonaro poderia virar do avesso o conjunto de valores morais e políticos preponderantes na Nova República. “Há uma cegueira histórica”, diz.

AMAN

A historiadora francesa Maud Chirio, especialista no estudo da política de direita no Brasil e professora da Universidade Paris Leste Marne-La-Vallée, em entrevista à Folha de São Paulo afirma que a eleição de Bolsonaro marca o fim da Nova República e faz previsões assustadoras para a esquerda brasileira, “[...] no dia 03 de janeiro do ano que vem, o MST e o MTST serão declarados organizações terroristas, e no começo de fevereiro, o PT será interditado (...) haverá também um expurgo na administração pública, que já está sendo preparado. Só não ver quem não quer”, disse a professora.

A criminalização dos movimentos sociais

Sobre a criminalização do MST e MTST, um projeto de lei apresentado na Câmara do Deputados, em 2016, pelo deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) pretende modificar a Lei 13.260/16, conhecida como Lei Antiterrorismo,  que enquadra manifestações e ocupações promovidas por movimentos sociais como possíveis atos terroristas, inclusive no final do mês de outubro já houve uma tentativa de aprovar o polêmico projeto, mas sofreu obstrução pela oposição.

Nesse contexto, não precisa ser historiador ou cartomante para confirmar essa previsão de mademoiselle Chirio, pois fica claro que o objetivo é criminalizar os movimentos sociais, pois o próprio presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) Edison Lobão (MDB), confirmou que o projeto é do interesse do presidente eleito, Jair Bolsonaro. O PL tem como relator o senador derrotado Magno Malta (PR).

Interdição no PT e expurgo público

Desde quando começou a explodir os primeiros escândalos do Mensalão, o Partido dos Trabalhadores passa por um perpétuo expurgo, que ainda não acabou e a Lava Jato ainda está nos seus pés, mesmo sem Sérgio Moro.

Dois delatores da Odebrecht prestaram os primeiros depoimentos na ação sobre o sítio de Atibaia, em que o ex-presidente Lula é um dos réus. Os delatores foram interrogados pela juíza substituta Gabriela Hardt, que está temporariamente no lugar de Sérgio Moro.

Apesar que em abril deste ano, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que fossem retirados da ação do sítio de Atibaia os trechos de revelações feitas pelos delatores da Odebrecht, pois a maioria dos ministros da 2ª Turma do STF entendeu que o conteúdo não tem relação com as investigações da Petrobras.

Mas como os delatores também são réus na ação, durante o interrogatório puderam ser questionados sobre o que sabiam a respeito das obras. Eles tiveram o direito de não mostrar o rosto por serem delatores.

O processo do sítio de Atibaia tem 13 réus. Apura se o ex-presidente Lula recebeu propina de empresas como a OAS e a Odebrecht por meio de reformas e decoração na propriedade, em troca de favorecimento em contratos com a Petrobras.

De acordo com as investigações, as obras começaram quando Lula ainda era presidente.

Futuro opaco

Acredito que essa celeuma jurídica seja mesmo no sentido de criminalizar Lula não apenas pelo Caso Triplex, mas também pelo “Sítio de Atibaia”, confirmando para o opinião pública que Lula deve ficar preso mesmo e que a sua prisão não foi “manobra para mantê-lo preso para Bolsonaro vencer as eleições” e “golpe”, como afirma a esquerda querendo criar um novo Episódio na História do Brasil. Se a Justiça conseguir ligar Lula ao sítio será mais uma tentativa de humilhá-lo perante a opinião pública.

A pesquisadora francesa, infelizmente fez outras previsões que assustam até os mais céticos: a historiadora questiona a capacidade do Legislativo, Judiciário e imprensa de servirem de contrapeso a eventuais desmando autoritários do militar da reserva e chama atenção para a afinidade de Bolsonaro com a ala linha dura do regime que vigorou no Brasil de 64 a 85.

“Ele representa um segmento que sempre rejeitou a República decorrente da Constituição de 1988 e a sua apologia da diversidade étnica, religiosa e do pluralismo. Não há razão para acreditar que ele (Bolsonaro) pense diferente.

A minha geração pegou o fim do regime militar, mas participamos ativamente das mobilizações pelas Diretas Já, e dá muito medo perceber que a nossa democracia corre risco.

 

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