Relação de amor e ódio pode levar PT ao 2º Turno, diz pesquisa

Publicado por Reinaldo Araújo em 25/08/2018 às 16h38

"A maioria dos eleitores do PT vai com o partido, não vai trocar o PT por ninguém...", afirma David J. Samuels, cientista político norte-americano

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Segundo a BBC Brasil, o cientista político norte-americano, David J. Samuels acredita que a visão política que os brasileiros tem dos partidos está errada, segundo ele quase 50% dos eleitores do país as escolhas políticas não são feitas apenas de forma personalista em torno dos candidatos nem por interesses pessoais.

Para Samuels, "[...] na cabeça dos eleitores, a divisão entre petistas e antipetistas é uma força poderosa, que pode moldar o resultado da eleição, independentemente de Lula ser candidato ou não", diz.

"Entre 20% e 25% da população não vai votar no PT de jeito nenhum. Mas também sabemos que entre 20% e 25% dos eleitores têm uma probabilidade extrema de votar em qualquer candidato do partido", afirma.

Para ele, além do PT, “que teria chances por conta dessa mobilização partidária”, as alianças do PSDB acertaram ao unir o "Centrão" (bloco formado por PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade) para formar um grupo forte de partidos para disputar um lugar no segundo turno.

O cientista norte-americano, argumenta também que ainda que a ausência de alianças partidárias deve dificultar o desempenho do candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

"A candidatura de Bolsonaro não é uma piada, e ele está se baseando muito no que aconteceu com Trump aqui nos EUA. Mas a grande diferença é que ele realmente não tem apoio de uma organização forte, ao contrário do que aconteceu nos EUA”.

Em seu livro, “Partidários, antipartidários e apartidários - o comportamento eleitoral no Brasil”,  escrito em parceria com Cesar Zucco, da Fundação Getúlio Vargas, David J. Samuels mostra que desde os anos 1980 se formou uma divisão entre dois grupos de eleitores: uns votam sempre no PT, e outros votam sempre contra o PT.

"Para entender o caminho da política eleitoral brasileira desde a redemocratização, é particularmente importante entender como a emergência do PT moldou as atitudes políticas e o comportamento dos eleitores, tanto a favor quanto contra o partido", diz o livro.

A questão do partidarismo a favor do PT é especialmente relevante em uma eleição na qual o candidato oficial do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, foi condenado por corrupção, está preso, e pode ser barrado de concorrer à Presidência. Mesmo com tanta adversidade, o cientista político americano diz acreditar que os partidários devem conseguir angariar votos para levar o partido ao segundo turno, mesmo sem Lula.

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Graças a essa base de apoio do PT, o cientista político opina que a maioria dos eleitores petistas deve votar no partido mesmo que a candidatura de Lula seja impugnada, e mesmo que com um nível de entusiasmo menor. Para Samuels, isso pode levar o partido ao segundo turno, mesmo que sem Lula.

"A maioria dos eleitores do PT vai com o partido, não vai trocar o PT por ninguém como Alckmin ou Bolsonaro. Ciro Gomes ou Marina Silva podem até levar um ou dois pontos percentuais que iriam para Lula, mas a maioria vai seguir o partido", opina.

Segundo o professor, é possível pensar que Lula seja maior do que o partido em alguns sentidos, mas que a capacidade do PT de conseguir entre 20% e 25% dos votos em uma eleição nacional independe do ex-presidente.

"Não acho que exista um lulismo como postura psicológica. Muita gente gosta de Lula, pode admirar ele, e pode haver quem gosta dele sem ser petista. Nem todo lulista é petista, mas quem é petista sempre vai gostar de Lula. A postura psicológica mais profunda é o petismo, é a ligação ao partido e ao que ele representa, não à pessoa", opina. "O PT não vai desaparecer quando Lula desaparecer. É uma ligação mais longa e duradoura do que a relação com Lula", complementa

Fonte:

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45151563

 

 

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