Tailândia: a mais nordestina das cidades do Pará

Publicado por Reinaldo Araujo em 11/06/2017 às 17h16

A Região Norte foi a que mais recebeu migrantes vindo do nordeste

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Um ensaio sobre a migração no Pará

O ato de migrar é realizado há milhares de anos, sendo caracterizado como uma forma de mobilidade espacial da população. Migrar é trocar de país, região, estado, município ou até de domicílio.

No Brasil, os movimentos migratórios estão mais diversificados, no entanto, os habitantes do Nordeste, pela seca e ausência de políticas públicas do Estado, protagonizaram grandes fluxos migratórios com destino às outras regiões do país.

Para ilustrar, utilizando o mapa político do Brasil para representar o trajeto do primeiro grande fluxo migratório dos nordestinos (século XIX), cujo destino foi à porção norte do país.

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Antes disso, porém, o esforço para desintegrar a resistência da Revolução Cabana, no Pará, atomizada na imensidão da Amazônia, prosseguiu durante os anos de 1837 e 1838 várias missões e inserções de mercenários para conter a revolta no interior da Região, segundo historiadores, cerca de 40% da população masculina foi aniquilada, esvaziando o já imenso espaço demográfico da região, então eram comuns incentivos a nordestinos através de terras e salários para a ocupação da Amazônia até o final do século XIX. A partir de então, essa população foi motivada pelo Ciclo da Borracha, que se repetiu também durante a Segunda Guerra Mundial, conflito que ocorreu entre os anos de 1939 a 1945.

Outro fator de migração nordestina até o Pará se deu no início da década de 70, do século passado, através dos Grandes Projetos da Amazônia, iniciado nos governos militares, como a barragem de Tucuruí, do Projeto Carajás e a Serra Pelada, sem falar da expansão da fronteira agrícola nas Regiões Centro-Oeste e Norte atraindo fluxos migratórios de nordestinos.

É nesse ensejo que começa a migração nordestina para o centro do nordeste do Pará, principalmente em busca de terra e emprego na abertura de estradas, como a PA-150.

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Um ponto muito importante a ser enfatizado é que na última década ocorreu uma modificação nas correntes migratórias internas, uma vez que muitos migrantes estão retornando para as suas cidades de origem.

Agora já nas décadas de 80/90, com o objetivo de gerar políticas de desenvolvimento para o Estado, o Governo do Pará desencadeia o que iria ser chamado de Mapeamento Econômico e Ecológico, dando definições e metas de ação para cada região, o que de fato pouco aconteceu.

Nesse sentido foi criado conceito de Microrregião, que é, de acordo com a Constituição Brasileira (art. 25, §3°), um agrupamento de municípios limítrofes.

Sua finalidade é integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, definidas por lei complementar estadual.

Entretanto, raras são as microrregiões assim definidas. Consequentemente, o termo é muito mais conhecido em função de seu uso prático pelo IBGE que, para fins estatísticos e com base em similaridades econômicas e sociais, divide os diversos Estados da federação brasileira em microrregiões.

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Falando do Pará, vamos definir nossa localidade nesses conceitos.

A mesorregião do Nordeste Paraense é uma das seis mesorregiões do Estado Brasileiro do Pará. Em 2016, sua população foi estimada em 1.942.216 habitantes. É formada pela união de 49 municípios agrupados em cinco microrregiões, são elas: Microrregiões; Bragantina; Cametá; Guamá; Salgado e; Tomé Açu

Já a microrregião de Tomé-Açu é uma das microrregiões do Estado Brasileiro do Pará pertencente à mesorregião Nordeste Paraense. Sua população foi estimada em 2016 pelo IBGE em 325.988 habitantes e está dividida em cinco municípios. Possui uma área total de 23.704,079 km². Os municípios que fazem patê de Microrregião: Acará; Concórdia do Pará; Moju; Tailândia e; Tomé Açu.

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Cultura Nordestina marca a região

Na culinária, se for por cuscuz e mingau de arroz, bolo de milho e pamonha, ninguém passa fome. O forró e as festas juninas marcam o tom da dança; o “paranhes” também se fala nessa cidade e a velha rivalidade entre paraenses e maranhenses, tudo faz parte da formação da cultura de Tailândia, uma cidade que nasceu do conflito pela terra, mas que mistura culturas e cores, como todo o Brasil.

Nesse sentido, podemos dizer que Tailândia, dentro do Nordeste do Pará, é a mais Nordestina das cidades do Estado, e esse mês marca essa referência, que muito deve orgulhar nosso povo.

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