União Europeia e o Mercosul: de volta as grandes navegações

Publicado por Reinaldo Araújo em 29/06/2019 às 09h31

Ainda que o acordo fechado entre a Comunidade Europeia (EU) e o Mercosul deva ser comemorado, precisamos compreender que os impactos positivos e negativos desse acordo só serão sentidos no Brasil em 15 anos, e mesmo que seja dado um incentivo maior à produção industrial, e sobretudo, ao agronegócio, a geração de emprego comparado aos índices atuais, é uma piada: pouco menos de 800 mil empregos serão gerados em 10 anos

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O acordo foi fechado em Bruxelas, na Bélgica, sede da UE 

Pois é! Diante de uma guerra comercial entre EUA e a China, a Comunidade Europeia fez o mesmo que os grandes navegadores do século XV: se voltaram para a conquista das fronteiras além-mar, período da história em que os europeus lançaram-se à navegação do Oceano Atlântico, para descoberta de novas rotas comerciais.

Há quase três décadas, a perspectiva da assinatura do tratado comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) vem ocupando a agenda de políticos, empresários, pesquisadores e interessados em geral. De fato, a tentativa para a formalização de um tratado de livre-comércio (TLC) entre o Mercosul e a UE data de 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando da assinatura do Acordo-Quadro de Cooperação Inter-Regional (AQCI). Mas o que é bom para o Mercosul é bom para o Brasil? Nem sempre.

Ao contrário do que é sugerido o maior obstáculo para a conclusão do acordo entre o Mercosul e a UE sempre foi a resistência dos produtores agrícolas europeus, temerosos da concorrência sul-americana. Desde os primeiros anos, os setores ligados à agricultura na Europa manifestaram sua preocupação de que esse tratado os impedisse de competir no mercado de alimentos.

Por isso, a importância do setor agropecuário para a União Europeia fica evidente quando se analisam alguns dados fornecidos pelo Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat). Em 2016, por exemplo, havia 8,73 milhões de indivíduos empregados em atividades agropecuárias na zona rural, cifra que representava 3,99% do total dos empregados e a questão da empregabilidade, diferente do Brasil, é uma questão política tratada com seriedade.

E o Brasil?

Dessa forma, no lado brasileiro, esse acordo feito entre o Mercosul e a EU, o agronegócio é um dos principais beneficiados. O setor comemora a redução e posterior retirada de tarifas de produtos essenciais na pauta de vendas externas, como suco de laranja, frutas, café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais. Haverá também acesso preferencial para carnes bovina, suína e aves, açúcar, etanol, arroz, ovos e mel, entre outros. Além disso, “o acordo reconhecerá como distintivos do Brasil produtos, como cachaças, queijos, vinhos e cafés”, dizem os Ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura.

Neste sentido, ao depender do movimento europeu de abertura de seu mercado agrícola, o acordo pode agregar US$ 9,9 bilhões às exportações do Brasil para a União Europeia. Um aumento de 23,6% em dez anos, com potencial de gerar 778,4 mil empregos, quer dizer que o impacto sobre a geração de emprego direto no Brasil não é suficiente para reduzir a massa de mais 13 milhões de desempregados da pátria mãe.

Então, mesmo com a projeção do crescimento do PIB brasileiro, que deve ficar em torno US$ 87,5 bilhões, podendo chegar a US$ 125 bilhões, considerando redução de barreiras não-tarifárias, essa mobilização na economia, com o acordo fechado, só será sentida aqui, em solo nacional, em 15 anos.

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