Universidades entrarão em greve contra cortes de verbas

Publicado por Reinaldo Araújo em 04/05/2019 às 17h47

Numa atitude irresponsável, o ministro da Educação do governo Bolsonaro, resolveu estender o bloqueio de 30% dos recursos da UnB, UFF e UFPA, por "balbúrdia", a todas as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

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Esses cortes são significativos e poderão inviabilizar o funcionamento de todo o sistema federal de ensino superior do Brasil. Segundo o jornal Estado de SP, desde 2014, houve diminuição de mais da metade do recurso em investimentos para as universidades federais.

Universidade públicas produzem ciência e tecnologia, ciências humanas e conhecimento cultural

Um dos argumentos de Abraham Weintraub, ministro da Educação de Bolsonaro, para o corte dos recursos das IFES é a falta de ranking positivos da produção acadêmica.

Ora, a própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou, em janeiro de 2018, relatório produzido pela empresa estadunidense Clarivate Analytics, ligada à multinacional Thomson Reuters, sobre a pesquisa científica no Brasil entre 2011 e 2016, provando o contrário.

Nesse relatório foram tiradas três conclusões: praticamente só há produção de pesquisa científica em universidades públicas, há pouco impacto internacional na produção científica brasileira e apenas a Petrobras e indústrias farmacêuticas realizam investimento relevante nessa área no país.

Sem diálogo, o movimento vai à luta

Depois que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou uma série de medidas contra as instituições de nível superior, sendo a principal o corte de 30% dos recursos, entre outras iniciativas que podem levar ao total desmonte do ensino público superior no Brasil, os professores universitários que já estavam em pé de guerra contra a Reforma da Previdência, agora prometem amplificar o movimento com indicativo de greve nacional a partir do dia 15 de maio.

O enredo da crise do corte, inicialmente, era para as Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal da Bahia (UFBA), por "balbúrdia", mas devido as críticas de reitores e da comunidade universitária, o ministro achou “pouco” e ampliou os bloqueios para todas as IFES do país.

Movimento deve ter responsabilidade e qualidade na ação

Os principais atingidos com os bloqueios das verbas da IFES não são os professores, não são os alunos e nem as universidades. Quem sofrerá com a postura do governo é a sociedade com a paralisação de diversos serviços, como atendimentos em hospitais universitários, formação e capacitação de profissionais da educação, da área das exatas e da saúde.

E isso não acontecerá apenas com a paralisação nas universidades. Acontecerá porque o governo quer cortar as verbas públicas, engessando a produção de conhecimento crítico.

É fundamental chamar a sociedade para a defesa do ensino público para todos, com qualidade. Essa luta é a garantia do universitário filho de pedreiro, do filho do garçom, da dona de casa, da costureira, que sonham em ver seus filhos dentro de uma universidade.

O movimento deve deixar o debate corporativista, partidário e panfletário. Lutar contra esse governo até a sua derrota só depende de inteligência e qualidade da ação política de todas as entidades que fazem parte da comunidade acadêmica, dos estudantes, dos docentes e dos técnicos-administrativos em educação.

   

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